O vice-presidente do PSD registou hoje a «flexibilidade» do FMI, mas defendeu que «não faz sentido» discutir uma alteração das metas orçamentais estabelecidas para Portugal.
Em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Jorge Moreira da Silva sustentou que só porque Portugal fez aquilo que devia é que o Fundo Monetário Internacional manifesta agora «flexibilidade» quanto às metas do seu programa de assistência financeira.
No entanto, e apesar de considerar que «o lado da receita não teve um desempenho tão positivo quanto se esperava», Moreira da Silva afirmou que o PSD e o Governo não mudaram de posição quanto à redução do défice para 4,5 por cento este ano: «Isto é, nós encontramos nas dificuldades um fator adicional para colocarmos mais energia, mais criatividade e mais talento na concretização desse objetivo».
«Portanto, reconhecendo alguns riscos, em particular do lado da receita, não faz sentido estar a discutir uma alteração de metas quando aquilo que devemos fazer é aquilo que está ao nosso alcance que é cumprir os objetivos do lado da despesa, algo que tem sido feito de forma inédita em Portugal, muito significativa, mas também do lado da receita corrigir o que é possível», completou.
O vice-presidente do PSD não deixou, contudo, de registar as declarações feitas hoje pelo chefe da missão do Fundo Monetário Internacional em Portugal, Abebe Selassie.
«Nós registamos obviamente essa flexibilização apresentada pelo Fundo Monetário Internacional e reconhecemos aí o reconhecimento do mérito de Portugal durante este ano», afirmou.
«É muito significativo que o Fundo Monetário Internacional reconheça o excelente desempenho que temos desenvolvido durante este ano e até avance com esta possibilidade», considerou.
Segundo Jorge Moreira da Silva, «se os portugueses não tivessem realizado os sacrifícios que realizaram, se o Governo não tivesse assumido a liderança que desenvolveu neste processo» o Fundo Monetário Internacional não adotaria esta posição.
O vice-presidente social-democrata apontou como fundamental a atitude do Governo «no momento em que se enfrentou uma fortíssima derrapagem orçamental no primeiro semestre de 2011».
«Agora, gostava de reafirmar que da parte do PSD o objetivo não é o de alterar as metas, é o de continuarmos neste objetivo de concretização das metas», reforçou.