O antigo administrador do BES José Maria Ricciardi escusou-se hoje a opinar sobre as responsabilidades pelos factos que levaram ao colapso do banco, considerando que esse é um trabalho das autoridades políticas e judiciais, bem como dos supervisores.
«Compreendam que estou numa situação um bocado difícil, mas eu não estou aqui a julgar ninguém, uma vez que compete aos senhores deputados fazer o julgamento político e aos supervisores e ao Ministério Público retirar as devidas conclusões», afirmou o banqueiro.
José Maria Ricciardi está a ser ouvido na comissão de inquérito parlamentar no caso BES, no mesmo dia em que o seu primo Ricardo Salgado foi ouvido durante dez horas.
Perante a insistência dos parlamentares em apurarem a identidade dos responsáveis, Ricciardi reforçou que essa questão «cabe à auditoria forense e ao departamento sancionatório do Banco de Portugal».
E realçou: «É por isso que há uma responsabilidade individual de cada administrador. Eu não digo que todos terão o mesmo grau de responsabilidade. Alguns saberiam de parte do que se passava, outros saberiam de tudo».
Questionado sobre se sabia que as reuniões do conselho geral do Grupo Espírito Santo estavam a ser gravadas, depois de Salgado ter dito, horas antes, que desconhecia esse facto, Ricciardi disse que sim.
«Eu sabia que as reuniões estavam a ser gravadas. O secretário da sociedade tinha um gravador em cima da mesa», afirmou, provocando uma gargalhada na sala onde decorre a audição.