O presidente do Banco Espirito Santo Investimento (BESI), José Maria Ricciardi, disse hoje que a proposta da Espírito Santo Financial Group de Amílcar Morais Pires para substituir Ricardo Salgado no BES significaria «deixar tudo na mesma».
«Era uma simples manobra para, a pretexto da mudança, deixar tudo na mesma», sublinhou Ricciardi no parlamento, durante a sua audição na comissão de inquérito à gestão do BES e do GES.
Para o banqueiro, deveria ter havido uma «alteração da 'governance» no grupo e no banco e, se tal tivesse sucedido, «provavelmente» a Rio Forte e o próprio BES não insolviam, ao contrário do GES.
«Acho que um dos problemas é que a liderança do grupo, em vez de enfrentar os problemas, adiava-os, dissimulava-os, ia empurrando uma bola de neve», sustentou.
O presidente do BESI comparou ainda a situação do GES à de um edifício em que há um incêndio no quarto andar - a ESI - e, em vez de se apagar o fogo, deixou-se que este se propagasse aos andares inferiores, metáforas para entidades como o BES.
A resolução do BES, já com Vítor Bento na liderança do banco, foi responsabilidade dos acionistas e não do Governo ou do Banco de Portugal, defendeu também Ricciardi.
«Foram os acionistas que não concordaram a seu tempo com a alteração de "governance" que eu propus», lamentou.