
José Silva Lopes
Global Imagens/Francisco Rocha
José Silva Lopes, convidado das Jornadas Parlamentares do PS, defendeu hoje que baixar os impostos é um «disparate perigosíssimo» e uma «irresponsabilidade». O economista não poupou também críticas aos socialistas.
O antigo ministro das Finanças advertiu hoje que a «saída limpa» de Portugal nas atuais circunstâncias pode ser «um desastre» e considerou «estúpida» e «irresponsável» a pressão para a descida de impostos.
Silva Lopes discursou hoje nas Jornadas Parlamentares do PS, na Nazaré, numa intervenção politicamente incorreta perante deputados socialistas, já que também criticou frontalmente a dívida feita pelos governos de José Sócrates (sobretudo a partir de 2008), atacou o atual sistema de pensões e manifestou pouca esperança numa inversão ao nível do combate aos interesses, mesmo com um executivo PS.
«Fala-se muito na saída limpa - e vamos ter uma saída limpa porque não temos outro remédio. Vamos continuar a pagar taxas dois pontos percentuais acima da Irlanda, na ordem dos cinco por cento a dez anos. Portanto, isto vai ser um desastre», disse.
Numa nova nota pessimista sobre o futuro da economia portuguesa, o antigo ministro das Finanças sustentou que a dívida pública portuguesa apresenta projeções «medonhas», razão pela qual se poderá concluir pelo seu caráter não sustentável.
«Chegará o dia em que teremos de fazer a reestruturação da dívida, mas não é altura de levantar o problema. Se fosse político do PS, interiorizava este problema, mas não o proclamava ao público para não piorar ainda mais a situação nos mercados internacionais», alegou.
Mais em linha com os deputados socialistas, Silva Lopes concordou com a tese de que o país deverá fazer uma redução mais lenta do défice e manifestou-se contra uma nova descida dos impostos, considerando que se trata de uma ideia do PSD e do CDS «disparatada», sendo mesmo «perigosíssima» e de uma «irresponsabilidade total».
«Temos esta coisa absolutamente estúpida de encarar baixas de impostos. O PS vai ter aqui um bico de obra», afirmou.
«O PS tem de explicar que um milhão de euros tirado em impostos é um milhão de euros que se tira em despesa. Já fiquei desiludido quando o PS aceitou baixar o IRC, porque essa redução só será boa para os indivíduos que têm ações em empresas grandes e sem concorrência. É falsa a ideia que a descida do IRC será boa para o crescimento económico», sustentou o economista.