Tarifas dos EUA podem ter "impacto significativo" de 765 milhões de euros na produção portuguesa

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Para prevenir alguns dos impactos das tarifas, o professor Óscar Afonso recomenda a diversificação de mercados, como está a ser feito com os acordos entre a União Europeia e o Mercosul e a Índia
As tarifas dos Estados Unidos aos países europeus podem ter um impacto de 765 milhões de euros na produção portuguesa. O valor das exportações também sofre cortes significativos, com uma estimativa de 350 milhões de euros a menos por ano.
Estes números são apurados pelo estudo "Alterações geopolíticas e guerra comercial: cenários, impactos e recomendações de política", realizado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, que avaliou os efeitos de curto prazo. O coordenador do estudo diz que há efeitos de longo prazo que "não se conseguem impedir" e por isso não foram analisados.
Óscar Afonso aponta também que há uma perspetiva de serem cortados mais de 5000 postos de trabalho. "Nas remunerações um impacto entre os 93 e os 94 milhões de euros", acrescenta ainda o professor.
Quanto aos setores mais expostos a estas tarifas são "o petrolífero e derivados, o ferro e o aço, artigos têxteis, os produtos de borracha e equipamentos elétricos". Óscar Afonso revela algumas incertezas quanto ao impacto em setores que "podem beneficiar de isenções" como nos produtos farmacêuticos e na cortiça.
A região portuguesa mais atingida pelas tarifas é o norte, a "mais industrializada do país". O coordenador do estudo revela que nesta área, na produção pode haver um impacto de cerca de 300 milhões de euros e podem ser cortados até 3000 postos de trabalho.
Para prevenir alguns dos impactos das tarifas, o professor recomenda a diversificação de mercados, como está a ser feito com os acordos entre a União Europeia e o Mercosul e a Índia. Óscar Afonso aponta que no curto prazo o Governo deve dar uma "atenção particular aos setores mais expostos ao aumento das tarifas".
O professor sublinha a importância de ter "atenção aos impactos regionais assimétricos".Óscar Afonso diz que era importante serem feitas "alterações fiscais". O coordenador afirma que devem ser dados incentivos à inovação. O apoio às pequenas e médias empresas é também uma recomendação deixada pelo estudo.
