
Florêncio Almeida
TSF
Sem resposta do Governo e da Autoridade de Mobilidade e Transporte sobre o pedido de regulação tarifária e criação de contigentes de táxis nas cidades, o presidente da ANTRAL admite a hipótese de realizar um novo protesto de rua dos taxistas durante o mandato que a direção agora inicia até 2028
Florêncio Almeida está há mais de 30 anos na Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) e soma nove mandatos à frente dos destinos do táxi em Portugal. Esta semana foi empossado para mais um mandato até 2028 e em entrevista à TSF queixa-se que o setor está estrangulado, à espera de regulamentação até para a atualização de tarifas, admitindo que, não sendo escutado nem pelo Governo, nem pela tutela (a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes), o mais provável é voltar à rua, com um protesto de taxistas. Pede a criação de contingentes para o trabalho em cidades e exige que a regulação da atividade de TVDE passe para a competência das autarquias.
Garante que a ANTRAL enviou agora ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, um memorando, onde definiu também como prioridade o regresso aos táxis do transporte não-urgente de doentes - que antes de 2012 era assegurado por táxis e agora é uma das muitas tarefas dos bombeiros, o que considera que não faz sentido e até desafia o Executivo a fazer um estudo sobre o tipo de problemas que têm surgido ultimamente nesta área.
Florêncio Almeida adianta que foram igualmente pedidas reuniões com grupos parlamentares para expor as dificuldades que o sector do táxi atravessa e que está sem resposta desde a última reunião que teve com a secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, ainda na anterior legislatura.
O presidente da ANTRAL critica também a inércia da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes quanto aos prazos que ficaram definidos para regular as tarifas e ainda não foram publicados.
Defende mais apoios para o setor do táxi, tal como acontece na vizinha Espanha, onde, por exemplo, o incentivo à compra de veículos elétricos para a profissão - que é superior aos cinco mil euros concedidos em Portugal -, na falta de atualização de tarifas.
O líder deste setor admite ainda que há empresas de táxis a explorar o negócio de TVDE, mas discorda de tal prática pela natureza da missão ao nível do serviço público dos táxis.
Já sobre investimentos que envolvem o setor do táxi, Florêncio Almeida dá conta que está por concretizar o projeto que a ANTRAL tem com um parceiro chinês, para estabelecer um sistema de troca de baterias, quase em "real time", durante o período de operação regular diária dos taxistas que usassem veículos elétricos.
Florêncio Almeida diz aguardar ainda a emissão da licença de utilização do edifício na Ajuda, para ser sede da fundação que criou para apoio domiciliário aos pensionistas do setor.
