Os trabalhadores em "lay-off" da Cerâmica de Valadares agendaram para a manhã de segunda-feira uma marcha de protesto até à Câmara de Gaia e a entrega de uma queixa-crime contra a falta de pagamento de salários.
Desde terça-feira que os trabalhadores em layoff (com salários e subsídios de férias em atraso) mantêm trancas à porta da fábrica durante o horário laboral (das 08:00 às 17:00), impedindo a entrada e saída de viaturas e pessoas.
Hoje decidiram apresentar uma queixa-crime individual na esquadra da polícia de Valadares, mas a falta de alguns documentos levou ao adiamento do processo até à próxima segunda-feira, contou à Lusa João Melo, coordenador do Sindicato dos Cerâmicos do Norte.
A referida queixa-crime visa a «falta de pagamentos de salários e o uso indevido de dinheiros públicos destinados ao layoff».
O salário de julho para os cerca de 200 funcionários em layoff já foi entregue pela Segurança Social à administração da empresa de cerâmica, mas o dinheiro ainda não chegou às mãos dos trabalhadores.
Depois de o piquete de manifestação que se tem mantido frente à fábrica não ter tido qualquer resposta por parte da administração, os trabalhadores agendaram para segunda-feira, pelas 09:30, uma deslocação «a pé e pelas ruas de Gaia» até à Câmara Municipal onde irão pedir «apoio e ajuda», disse Raul Almeida, da Comissão de Trabalhadores.
O trabalhador contou ainda terem já sido solicitadas reuniões com a Segurança Social, Finanças e o Ministério do Trabalho para que «convoque a administração» da Cerâmica de Valadares a reunir com os trabalhadores.
Com as portas trancadas, a administração da Cerâmica de Valadares decidiu terça-feira «mandar para casa todos os trabalhadores (cerca de 100 ainda em funções) durante uma semana», encontrando-se a fábrica «parada» até dia 23.