Bloco de Esquerda pede exoneração do governador do Banco de Portugal

A deputada bloquista Mariana Mortágua exige ao Governo que exonere Carlos Costa, que foi administrador executivo da Caixa Geral de Depósitos.

O Bloco de Esquerda (BE) apresentou esta terça-feira um projeto de resolução a recomendar ao Governo que inicie o processo de exoneração de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal. O anúncio foi feito pela deputada Mariana Mortágua que apresentou os argumentos para esta tomada de posição numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.

O Bloco de Esquerda entende que Carlos Costa "não tem condições para continuar no cargo" por falta de idoneidade. Em causa está o facto de o atual governador ter sido administrador da Caixa Geral de Depósitos e ter tomado decisões prejudiciais para o banco público.

"Aprovou operações que não cumpriram os pareceres de risco, sem que tenhamos noção de qualquer justificação para esse incumprimento. Algumas dessas operações resultaram em avultados prejuízos para a Caixa como a compra do empreendimento de Vale do Lobo", referiu Mariana Mortágua.

A deputada do BE garante que, enquanto administrador da Caixa Geral de Depósitos entre 2004 e 2006, Carlos Costa esteve envolvido na concessão de um "empréstimo de 170 milhões de euros para a compra do empreendimento de Vale do Lobo, bem como empréstimos a Manuel Fino e Joe Berardo para a compra de ações do BCP, da Cimpor e da Soares da Costa". Deputada salienta que pedido o de escusa feito pelo governador só prova que há "um conflito de interesses e uma ligação à Caixa".

A deputada defende que "ninguém pode garantir que Carlos Costa tem idoneidade e condições para ser governador do Banco de Portugal, porque o banco se recusa a avaliar o seu próprio governador."

O governador do Banco de Portugal (BdP) disse esta segunda-feira que pediu em novembro para não participar em decisões sobre a auditoria à Caixa Geral de Depósitos (CGD), em que foi administrador, o que foi aceite na altura.

"Em complemento do comunicado publicado em 8 de fevereiro 2019, o governador esclarece que o pedido de escusa relativamente à participação em deliberações do Banco de Portugal sobre situações abrangidas pela auditoria da EY à CGD foi apresentado na ocasião da primeira deliberação tomada neste âmbito, em 06 de novembro de 2018, e nessa data aceite pelo Conselho de Administração", lê-se na breve nota divulgada pelo banco central.

Na sexta-feira passada, Carlos Costa disse em comunicado que pediu para não participar nas decisões do banco central sobre a auditoria da EY à CGD por ter sido administrador entre 2004 e 2006 e que esse pedido foi aceite pelo Conselho de Administração.

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