Molhar o pão no azeite vai ficar mais caro no próximo ano

Entre os aumentos previstos para 2018, o preço do azeite é o que poderá surpreender mais os consumidores. Custo do pão, refrigerantes, tabaco e álcool também sobe.

Azeite

A falta de chuva e as altas temperaturas afetaram a produção de azeite durante 2017 e, por isso, o Instituto Nacional de Estatística (INE) prevê uma quebra de -9,3 por cento que pode levar a um "aumento dos preços de base" de 29,6%.

Este ano, os preços já tinham subido devido a uma "redução de oferta interna, aliada ao aumento de procura internacional", mas o cenário piora em 2018.

O INE explica que, nas Contas Económicas da Agricultura para 2017, "nos olivais de sequeiro, que abrangem uma área maior, a escassa precipitação de setembro e outubro, aliada às elevadas temperaturas, conduziu a uma produtividade inferior", com queda antecipada e/ou menor desenvolvimento dos frutos, e "afetou negativamente o teor em gordura das azeitonas", diminuindo o valor comercial da oliva.

Pão

Também o pão vai ficar mais caro em 2018. O presidente da Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares do Norte (AIPAN) lembra que o preço está congelado desde 2011 e que desde então os custos de produção têm vindo sempre a aumentar.

Desde o aumento dos custos com os combustíveis, aos custos de manutenção, passando pelo preço dos ovos e pela subida do salário mínimo, António Fontes sublinhou à agência Lusa que nestes últimos anos apenas a farinha não registou grandes oscilações no valor.

Feitas as contas, o setor prevê um aumento do custo do pão a rondar os 20%, o que se traduz numa subida do preço da carcaça para os 16 cêntimos no Porto e para os 24 cêntimos em Lisboa.

Leite

Ao contrário do azeite e do pão, o preço do leite não deve sofrer grandes alterações no novo ano. Os produtores esperam uma estabilização do setor em 2018, de acordo com a Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac).

Menos otimista, o INE prevê que o preço base do leite deverá aumentar 5% devido aos efeitos da seca nos custos de produção, "dada a necessidade de recorrer a alternativas de alimentação mais onerosas".

A partir do dia 1 de janeiro, os produtores passam a estar obrigados a incluir um selo que certifique a origem do leite utilizado nos produtos lácteos, não se prevendo para já as implicações dessa medida.

Refrigerantes

O imposto a pagar pelas bebidas açucaradas vai aumentar cerca de 1,5% a partir de 2018. As bebidas que tenham um teor de açúcar inferior a 80 gramas por litro passam a ser taxadas a 8,34 euros por hectolitro (em vez dos 8,22 euros cobrados desde o início do ano).

Quanto às bebidas com um nível superior de açúcar, o imposto passa a ser de 16,69 euros por hectolitro (em vez dos 16,46 euros cobrados atualmente).

Tabaco e álcool

O aumento do Imposto sobre o tabaco previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2018 pode significar uma subida de até 10 cêntimos no maço de cigarros, dependendo da marca.

O OE2018 aprovou também a subida de 1,5% do Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA). O Governo prevê um aumento da receita com este imposto na ordem dos 17 milhões de euros no final do ano.

As cervejas passam a pagar um imposto de 8,34 euros por hectolitro, que pode chegar aos 29,30 euros, consoante o volume de álcool da bebida.

A taxa de imposto aplicada às bebidas espirituosas, como gin e vodka, sobe 1,4% para os 1.386,93 euros por hectolitro, enquanto os licores, cujo aumento é também de 1,4%, passam a custar 76,10 euros.

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