OE2018

UGT: "Um orçamento de continuidade" que aposta na recuperação de rendimentos

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, elogiou hoje a proposta do Orçamento do Estado para 2018, afirmando que prossegue "uma postura de recuperação.

"É um orçamento de continuidade que mantém uma postura de recuperação de rendimentos dos trabalhadores, dos reformados e dos pensionistas, o que nos parece importante", disse à agência Lusa Carlos Silva.

Carlos Silva refutou as críticas de ser um orçamento eleitoralista, referindo que "só quem não tem consciência do que aconteceu é que pode continuar a olhar para números e fazer da economia um suprassumo, esquecendo a questão social", sublinhou.

A este propósito, o dirigente da UGT lembrou os milhões de "trabalhadores e reformados" que "sofreram na pele e no espírito, aquilo que foi um programa de austeridade tremendíssimo".

"É dentro dessa dimensão social que nós entendemos que o orçamento se inclui", salientou.

Na sexta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu ao Governo e aos partidos que o apoiam "bom senso e realismo" na gestão orçamental, deixando alertas contra um eventual "orçamento eleitoralista" para 2019.

Como medidas positivas para 2018, Carlos Silva apontou "o desbloqueamento das carreiras da administração pública, que tem dado 'água pela barba' aos sindicatos", que há sete anos lutam para que "a justiça seja resposta".

A integração de cerca de 3.500 professores no quadro do Estado foi outra medida destacada por Carlos Silva, afirmando que "o Governo tem que dar o exemplo àquilo que os partidos políticos e os parceiros sociais têm vindo a dizer de que é preciso combater a precariedade".

Saudou também a reintegração de dois escalões do IRS, sobretudo para os trabalhadores com mais baixos rendimentos, apesar de considerar que ficou "um pouco aquém das expectativas", no sentido de que a classe média, que tem "sido a mais fustigada", mantém o plano de impostos em 2018.

Para o sindicalista, a reposição do valor das horas extraordinárias também é "um bom sinal" da parte do Governo, bem como o aumento generalizado das pensões.

"Parece-nos uma boa medida, com grande conteúdo de sensibilidade e que a pouco também vai repondo os rendimentos das pessoas que sofreram tanto nos últimos anos", vincou.

Agora -- defendeu - também cabe ao Estado investir num conjunto de situações pelas quais a UGT se debateu, nomeadamente a valorização do território, a política florestal, e a qualificação dos trabalhadores.

Carlos Silva disse ainda que a UGT vê "o orçamento com algum otimismo".

"É um otimismo que não é o otimismo militante do senhor primeiro-ministro, mas é um otimismo que nos permite perceber que há pernas para andar, que há diálogo", rematou.

Na proposta de OE para 2018, entregue na sexta-feira à noite na Assembleia da República, o executivo prevê um défice orçamental de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e um crescimento económico de 2,2% no próximo ano.

O Governo melhorou também as estimativas para este ano, prevendo um crescimento económico de 2,6% e um défice orçamental de 1,4%. Quanto à taxa de desemprego, deve descer de 9,2% este ano para 8,6% no próximo.

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