Oposição a Tomás Correia. Associação Montepio tem contas "um pouco mascaradas"

Ribeiro Mendes, administrador da associação mutualista, entende que parte das contas "não tem consistência", apesar de cumprir lei. Montepio vive "acalmia", mas "não está superada crise de confiança"

"A situação está um pouco mascarada", atira Fernando Ribeiro Mendes, em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo. O candidato à sucessão de Tomás Correia refere-se ao impacto que as alterações de âmbito fiscal no ano passado tiveram nas contas da Associação Mutualista Montepio.

Em 2017, por decisão da Autoridade Tributária, a Associação Mutualista Montepio deixou de estar isenta de impostos, passando a estar sujeita ao pagamento de IRC. Situação que melhorou os ativos da mutualista em mais de 800 milhões de euros.

"Ao estarmos sujeitos ao IRC, foram-nos reconhecidos créditos fiscais, os chamados ativos por impostos diferidos, que resultam da natureza da nossa atividade", lembra Ribeiro Mendes. "Isso mascarou um pouco, todos sabemos que esses ativos são virtuais", sublinha o antigo secretário de Estado da Segurança Social, que está em rutura com Tomás Correia.

"Se a associação tiver muitos lucros, não paga impostos e deduz a esses créditos que tem sobre o fisco; se a associação não tiver lucros, vai perdendo esses créditos e não deduz nada", explica o economista do ISEG.

Ribeiro Mendes ressalva que esses ativos têm um valor "contabilístico, legal", mas entende que "não têm consistência económica e não dão segurança às aplicações dos associados". Isto porque "ninguém pode ser ressarcido em caso de querer levantar a sua poupança através de créditos fiscais", clarifica.

Montepio vive "acalmia", mas "sangria financeira" continua

Fernando Ribeiro Mendes entende que a Associação Mutualista Montepio entrou "num período de acalmia", mas sublinha que a instituição ainda perde ativos.

"Continuamos a ter uma sangria financeira desde o início do ano, há mais saídas de recursos financeiros confiados à associação do que entradas", nota Ribeiro Mendes. A associação perdeu 100 milhões de euros em ativos no primeiro trimestre.

"Não está, portanto, superada a crise de confiança", conclui.

Primeira promessa: baixar salários da administração da mutualista

Se ganhar as eleições de dezembro, Fernando Ribeiro Mendes promete tentar baixar os salários da administração da Associação Mutualista Montepio.

Confrontado com o valor do salário de Tomás Correia, na ordem dos 11 mil euros líquidos por mês, Ribeiro Mendes recorda que "foi fixado no tempo em que a administração geria não só a associação como a Caixa Económica". Para o candidato à liderança da mutualista, esta é "uma razão histórica que se compreende", mas que "agora já não faz sentido".

"Uma das primeiras medidas que vou propor à Assembleia-Geral é uma revisão em profundidade do sistema remuneratório da administração, depois das eleições, para adequá-lo ao trabalho e à responsabilidade do gestor da Associação Mutualista", promete.

Ribeiro Mendes não não quer, para já, apontar qualquer valor antes de ser iniciada a discussão com os associados da mutualista.

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