Para eles, o céu não é o limite. Os portugueses que levam a Airbus a voos mais altos

São portugueses e ocupam lugares de destaque na maior empresa aeronáutica e espacial do mundo. A história dos emigrantes portugueses que deixaram o país para voar mais alto.

Foi há quinze anos que trocou Lisboa pela cidade de Toulouse, no interior do Sul de França.

Margarida Moura, agora com 41 anos, conta-nos uma história semelhante à de tantos outros. Foi trabalhar para fora. Deixou para trás o conforto da família, da comida portuguesa e do mar.

Fê-lo em nome de algo maior. Em nome de um grande sonho.

Quando terminou o curso de Engenharia Mecânica, no Instituto Superior Técnico, foi admitida na TAP. "Uma excelente escola", nas palavras de Margarida, que a preparou para voos mais altos. "Havia sonhos", conta.

Os mesmos sonhos que moveram Rui Narciso, que chegou a Toulouse como estudante, mas acabou por tornar-se emigrante a tempo inteiro. Depois de passar por um estágio em Itália que, vá-se lá saber porquê, diz tê-lo feito perceber que, afinal, viver em "França não era assim tão mau", decidiu regressar a terras gaulesas.

Hoje, Margarida é responsável pelo interior das cabines de muitos dos aviões desenvolvidos pela Airbus. A sua função é "captar todos os desejos da companhia aérea, ao nível do interior das cabines: assentos, lavatórios, carpetes, design. Tudo o que a companhia aérea deseja ter no interior do seu avião", explica.

Rui é o responsável dos serviços de pós-venda da Airbus aos clientes da União Europeia e da Rússia.

São dois portugueses em destaque na Airbus, a gigante da aeronáutica que é também a líder europeia no desenvolvimento de programas espaciais. Um feito que, há 15 anos, admitem, era tido como "impossível".

"No início, foi difícil", confessa Margarida. "Na altura, a Airbus não era muito aberta a outras nacionalidades. Quando comecei, se não se falasse francês, não se entrava na empresa", recorda Rui.

Mas o mundo mudou e a Airbus também. "Agora, é completamente o contrário", conta. "A Airbus percebeu que a vantagem está na diversidade de nacionalidades [há, nesta altura, trabalhadores de 100 países diferentes na empresa] e acolhe os estrangeiros de braços abertos."

"Nós pensamos que estamos tão longe, pensamos que somos pequeninos, que não interessamos a ninguém", comenta Rui. Complexos que, hoje, garantem estes dois portugueses, já não fazem sentido nenhum. "Com muito trabalho e com muitos sonhos, tudo é possível."

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