Perdoada dívida de 116 milhões a Pereira Coutinho

Empresário vendeu a Sociedade de Importação de Veículos Automóveis (SIVA) à Porsche por um euro.

A Banca portuguesa perdoou uma dívida de 116 milhões de euros ao empresário português João Pereira Coutinho. Com negócios no ramo automóvel, nomeadamente através do grupo SAG e da participação na SIVA, Pereira Coutinho beneficiou - como avançou o Correio da Manhã - de um acordo comunicado à CMVM na noite desta terça-feira e que é subscrito pelo BCP, Novo Banco, BPI e Caixa Geral de Depósitos.

Os bancos vão ainda emitir garantias bancárias para que a SIVA, distribuidora do grupo Volkswagen em Portugal,na qual Pereira Coutinho tem participação, possa continuar a operar.

Com este perdão da dívida, o empresário avançou para a venda da SIVA à Porsche, pelo valor de um euro, num processo que deve estar concluído até ao final de 2019.

Porsche quer assumir controlo no último trimestre

A construtora alemã já anunciou que pretende assumir a gestão da Sociedade de Importação de Veículos Automóveis (SIVA) no quarto trimestre deste ano, depois do anúncio do acordo para garantir a continuidade das operações em Portugal.

"No seguimento da reestruturação, sujeita a escrutínio judicial e aprovação das autoridades da concorrência da UE, a Porsche Holding Salzburg (PHS) pretende assumir a responsabilidade da gestão operacional e comercial em Portugal no quarto trimestre de 2019", lê-se num comunicado enviado hoje às redações.

"Estamos muito satisfeitos com mais este importante desenvolvimento para a nossa empresa. A médio prazo, Portugal irá ser uma das nossas maiores operações de importação com cerca de 30.000 novos veículos por ano, e será um complemento ideal para as nossas atividades na região da Europa Ocidental", disse o CEO do Conselho de Administração da PHS, Hans Peter Schützinger, citado no comunicado.

No final de abril, a Porsche assinou acordos com a SIVA, subsidiária do principal grupo automóvel português SAG-SGPS SA, para adquirir o negócio de importação da Volkswagen, Volkswagen Veículos Comerciais, Audi, SKODA, Bentley e Lamborghini, e a rede de retalho detida pelo importador e composta por 11 concessionários em Lisboa e no Porto será adquirida pela PHS, acrescenta-se no comunicado.

"Estamos muito satisfeitos com o acordo estabelecido com a PHS; a perspetiva da nossa entrada para o maior grupo de distribuição automóvel europeu permite-nos encarar com grande otimismo o futuro da nossa organização e das marcas que representamos", comentou o administrador executivo da SIVA, Pedro de Almeida, numa declaração enviada à Lusa.

Em comunicado à CMVM, a SAG, liderada por João Pereira Coutinho, informa que "chegou a acordo com a Porsche Holdings (sociedade pertencente ao Grupo VW) e as instituições financeiras que participam nos financiamentos e garantias do Grupo SAG".

"Apesar da complexidade do processo negocial com os diversos 'stakeholders', incluindo as marcas representadas pela subsidiária SIVA, as instituições financeiras que participam nos financiamentos e garantias que o grupo SAG dispõe e entidades do Grupo VW, foi possível estabelecer um acordo que permitirá garantir a continuidade das operações", adianta.

No comunicado, a SAG informa que, no início de 2018, "e com o objetivo de permitir a continuidade das operações do Grupo SAG, o Conselho de Administração da SAG Gest começou a desenvolver, em conjunto com as marcas representadas, pela subsidiária SIVA, um plano de reposicionamento do seu negócio de forma a inverter a situação e garantir a sustentabilidade de todo o grupo".

OPA sobre a SAG

Na terça-feira à noite, o empresário João Pereira Coutinho anunciou a intenção de lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a SAG GEST - Soluções Automóveis Globais, que lidera, pagando uma contrapartida de 0,0615 euros.

Segundo o comunicado divulgado, o objetivo do oferente é o de "assegurar às subsidiárias da sociedade visada a continuidade da sua atividade por outra via e permitir aos acionistas venderem as suas participações na sociedade visada dado que esta deixará de operar no negócio do ramo automóvel -- isto é, na principal atividade que desenvolveu desde a sua constituição".

A intenção é "encontrar uma solução financeira para as empresas que permita garantir a continuação da atividade das subsidiárias operacionais e, mais importante, a manutenção dos mais de 650 postos de trabalho diretos", refere.

Em 2018, de acordo com a agência Lusa, o volume de vendas das marcas distribuídas pela SIVA foi de 20.349 veículos, uma queda de 32,6% face às 30.171 unidades em 2017. Correspondeu a uma quota de 8,4% no mercado de veículos ligeiros de passageiros, abaixo dos 12,8% em 2017, e de 7,6% no mercado de veículos ligeiros (veículos de passageiros e comercias ligeiros), que compara com a quota de mercado de 11,6% do ano anterior.

No comunicado ao mercado, a SAG explica que como resposta à situação em que o grupo SAG se encontra, a administração ajustou os planos de compras com as diversas marcas do Grupo VW, "reduzindo o volume de encomendas e solicitando a redução dos prazos de recebimento dos apoios comerciais das marcas".

A SAG fechou 2018 com um prejuízo de 176,9 milhões de euros e capitais próprios negativos em 169,2 milhões de euros.

No final de dezembro, a dívida líquida consolidada do grupo era 129,1 milhões de euros, mais quatro milhões de euros do que no final do ano anterior.

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