
Leonel de Castro/Global Imagens
Por entre críticas e palavras de apoio, o secretário-geral do PS parece ter, para já, sobrevivido à noite eleitoral que promete abrir feridas internas, mas para as quais António Costa parece estar preparado. Apoiantes de Seguro querem saída, mas "costistas" não atiram toalha ao chão.
Não perdeu o sorriso nem o sentido de humor. Já muitos os esperavam na sala do hotel Altis - onde tradicionalmente o PS celebra a noite eleitoral - quando António Costa entrou. Felicitou Pedro e Paulo - os mesmos com disputou, durante as últimas duas semanas, o palco político -, agradeceu aos que ali o apoiaram e aos que nele votaram. Afinal muitos quiseram a mudança, mas não foi suficiente.
"Costa, Costa", gritavam enquanto o líder se preparava para reação oficial do líder.
No discurso, interrompido por palmas e gritos de apoio, um momento alto pela voz do secretário-geral socialista: "Manifestamente eu não me demito", garantiu.
Afinal, acrescenta, a derrota do PS também significa uma derrota da coligação, pelo que "constitui um novo quadro político" na Assembleia da República.
António Costa promete não se afastar, apesar de muito se ter falado disso, sublinhando, no entanto, que nunca será uma pedra no caminho dos socialistas: "Nunca sou nem nunca serei um problema para o PS. Nunca faltarei quando for preciso e nunca estarei quando estiver a mais".
Admitindo que os objetivos não foram alcançados, adianta que não está disposto a formar, no parlamento, "uma maioria do contra" e que, tal como sublinhou durante toda a campanha, a palavra "referencial", de estabilidade ou democracia, é ponto assente na lógica do partido.
Costa perdeu na noite eleitoral, mas, apesar dos sinais que apontam para muita disputa interna - que começou a preparar-se ainda antes de os eleitores se deslocarem até às mesas de voto -, não é certo que tenha perdido o partido.
E, ainda que haja quem insista - tal como Costa o fez há um ano, depois da vitória de Seguro nas europeias - que este foi um resultado que se resume à palavra "poucochinho", o afiar de facas pode demorar o seu tempo, até que surja um qualquer golpe final nas aspirações do atual secretário-geral do partido.