
Álvaro Isidoro/ Global Imagens
O bloco partiu para a campanha das legislativas, no continente, com dois dias de "atraso". Dois dias que levaram o partido até à Madeira e Paris e que serviram apenas de "atalho" para mostrar uma diferença de atitude e de intenção. Estava dado o mote para uma campanha diferente das outras três mais mediáticas, mas ao mesmo tempo igual a todas as outras que o Bloco sempre fez.
Nessa altura já estava na estrada a "estrela" da constelação feminina, dum Bloco "renascido" que o próprio fundador, Francisco Louça, fez questão de salientar, no maior almoço de sempre do partido, com mais de 2000 pessoas no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, a meio da campanha. Aí já Catarina Martins tinha reforçado a sua condição de líder única, dum partido que tinha andado "partido" até pouco tempo antes da "prova de fogo" que serão estas legislativas. Foi também lá que Catarina Martins renovou pontaria aos principais alvos do Bloco quando, depois de respirar fundo, afirmou: " O PS é a maior desilusão desta campanha". E foi também lá que transformou a PàF em Puf, numa alusão ao fraco desempenho da coligação dos partidos do governo.
Etapa a etapa a estrada foi mostrando uma líder que ganhou projeção nos debates televisivos com os principais candidatos e nos quais tinha sido " a grande surpresa ". O país viu uma "pequena grande mulher", bem preparada, conhecedora das fraquezas dos adversários e segura por um programa sustentado na reestruturação da dívida pública, tratado orçamental, combate ao desemprego e precariedade ou às desigualdades sociais.
Catarina começa por "provar" no mercado da fruta das Caldas da Rainha, o efeito "debates". O sabor não podia ser melhor. As pessoas foram ter com ela para lhe dar "força" e elogiar a "coragem" frente a Portas, Passos ou Costa. É Na rua, onde o Bloco gosta de estar, junto das pessoas, que o partido se entrega e galvaniza. Na arruada de Lisboa, na emblemática Morais Soares, o "povo" confirma a líder e uma "dama de honor" de peso. Mariana Mortágua "mostrou serviço" no Parlamento e tirou comissão disso para liderar a lista de candidatos por Lisboa.
A meio da semana de campanha já o Bloco ia com várias ações que visavam mostrar à comunicação social e ao país, os "bons exemplos" que Portugal possui, para de seguida alertar, em contraponto, para o que está pior, numa campanha "Pela positiva", o Bloco passou pelo Laboratório de Investigação do Mar, em Peniche, e com o mesmo mar como fundo fez vir à tona da campanha a maior empresa da península na produção de bivalves, ao largo de Olhão. Mostrou também uma empresa de sapatos adaptados, para gente deficiente, com sede em Santa Maria da Feira, que exporta para todo o mundo. Depois do mar e da terra, Catarina Martins "subiu aos céus" da Arrábida para se centrar nas questões ambientais, assumindo-se assim como uma força política de soluções e não apenas de protesto.
Com uma agenda diária e de antecipação, o bloco foi tirando partido disso. Em Setúbal surpreende ao mostrar um anexo "escondido" de um decreto que continha contas do Metro de Lisboa que não batem certo. Todos os dias Catarina Martins teve a perspicácia de introduzir temas novos e de atualidade na campanha. Com alguma surpresa, o Bloco foi a Fátima. Lá visitou uma "exemplar" escola de hotelaria e com um grupo de alunos falou do voto aos 16 anos.
Pelo meio, as sondagens diárias foram mostrado um partido em crescendo e noutra arruada, na Lixa, Catarina Martins percebe que a sua imagem e o seu discurso são bem acolhidos pelas pessoas, principalmente pelas mulheres. Foi lá que escutou termos como "rica menina", "bonita e fala bem"... "mulher de garra"... "pequenina mas valente" . Outro exemplo de popularidade crescente foi vivido em Vizela quando Catarina Martins se reparava para visitar os bombeiros locais, uma pequena multidão chamou-a e em frente à casa do povo, a líder bloquista discurso em cima dum pneu para as pessoas que a rodearam e atentamente escutaram.
Catarina passou a ser, em definitivo, a estrela desta campanha. Pelo caminho vão-se-lhe juntando outras figuras do partido. A eurodeputada Marisa Matias, que com os fundadores e históricos do Bloco, Louça, Rosas, Pureza ou Fazenda. Louça e Fazenda introduzem no discurso de campanha, um novo léxico anti austeridade e maiorias absolutas: "Homotroikensis" ou "Troicuta".
Catarina Martins foi sentindo o partido crescer, na rua e nos comícios, e por isso traçou como objetivo aumentar o número de deputados na assembleia da república, que em 2011 "caíram" para oito com os 5.1% conseguidos nas urnas. A líder do Bloco foi também dizendo que o partido está disponível para fazer parte dum governo de esquerda e com soluções de esquerda. Falta saber se toda esta mobilização à volta do partido será traduzida em votos e deputados, no dia 4.
Uma coisa é certa, a única mulher candidata a primeira-ministra, está confiante. Nos últimos três dias desta campanha, Catarina Martins tem terminado os comícios com um tom forte e emotivo: "agora é que é, agora é a vez do Bloco!"