"Espero que mantenham o Vouguinha, senão aqui o povo faz guerra"

"Espero que mantenham o Vouguinha, senão aqui o povo faz guerra"

Já várias vezes tentaram mandar o "Vouguinha" dar uma curva. E temendo ainda que isso um dia possa acontecer, a segunda parte das crónicas "Próxima Estação", da TSF, tinham de começar pelas curvas que serpenteiam e atravessam cidades, vilas e aldeias entre Aveiro e Espinho. E refiro-me a curvas, porque se está à espera de fazer uma linha com retas a perder de vista, esqueça. O comboio da linha do Vouga (neste caso uma automotora da série 9630) torce-se e contorce-se entre partidas e chegadas.

"Pare, escute e olhe" a aposta que a CP está a fazer nos comboios históricos 

"Pare, escute e olhe" a aposta que a CP está a fazer nos comboios históricos 

Tal como prometemos em julho, cá estamos de regresso aos carris para uma segunda temporada das crónicas "Próxima Estação". A volta pelos caminhos de ferro nacionais fez-se, numa primeira fase, pelas linhas da Beira Alta, Beira Baixa, Leste, Sul, Alentejo, Algarve e Oeste. Nesta segunda etapa, voltamos a pegar nos bilhetes e a embarcar mais a Norte, pelas linhas do Vouga, Minho, Douro, Norte, Braga e Guimarães. Aqui, tal como fizemos a Sul, inevitavelmente falaremos das centenas de quilómetros de vias desativadas. Não só perderemos o olhar na imensidão do Douro Património Mundial, que é possível apreciar embarcando no histórico comboio Miradouro (do qual falaremos atempadamente) como também recordaremos as quatro vias que do Douro ramificavam e que estão, toda elas, extintas: Tâmega (até Arco de Baúlhe), Corgo (até Chaves), Tua (até Bragança) e Sabor (até Miranda-Duas Igrejas). Assim estão: extintas, umas abandonadas, com património a ruir, outras "afogadas". Em 1968, Portugal tinha uma extensão de 3.592km de linhas de comboio. O país encolheu mais de mil quilómetros de ferrovia, em 52 anos.

No "cérebro" das renovações da CP, guiado por um ferroviário

No "cérebro" das renovações da CP, guiado por um ferroviário

Porto-Campanhã > Contumil > Guifões. Mochila às costas, bilhetes na mão, sentidos apurados, gravador preparado e embarcamos uma semana para uma viagem (inesquecível) de comboio. À janela, observamos o melhor e o pior das linhas de comboio portuguesas. Acertamos agulhas e tentamos perceber qual a "Próxima Estação" para a ferrovia nacional: o que vai evoluir o país com o plano ferroviário para 2030 e o que deixou para trás.