"Os eurodeputados portugueses trabalham e honram-nos muito." Palavra de huissier do Parlamento Europeu

"Os eurodeputados portugueses trabalham e honram-nos muito"

Por vezes, Francisco Falcão tem de fazer esforços para conter a comoção, em especial quando são proferidos os discursos mais mobilizadores ou são tratados os temas que mais desesperança transmitem. Desde 2009 é o responsável pela unidade portuguesa de interpretação no Parlamento Europeu, mas trabalha nas cabines, a fazer interpretação simultânea, há 25 anos. As novidades "lá de Bruxelas" chegam a Portugal de outra forma, mais simplificada, admite. Mais distante, também. No calor do momento, é diferente. O "lá em Bruxelas" é perto, muito perto dos sonhos tangíveis. "Temos de controlar as emoções. No fundo, é como a representação; um ator também não se pode deixar tomar pelas emoções, tem de continuar o seu trabalho."

Maria Manuel Leitão Marques

"Não podemos prender" quem vai à procura de uma vida melhor. "Temos de atrair pessoas de outras partes do mundo"

Maria Manuel Leitão Marques, a eurodeputada socialista a quem deram "uma vaca que voa", por acreditar em impossíveis, está otimista, mas não "inconsciente" - aclara -, em relação ao futuro. Nesta entrevista com a TSF, a antiga ministra e secretária de Estado da Modernização Administrativa fala da execução do PRR, dos desafios que a Europa vai enfrentar nos próximos anos, e do que se pode esperar do Afeganistão e do quadro geoestratégico da UE no mundo daqui para a frente.

Graça Carvalho

"Quem vai pagar o PRR são os jovens. O que se pode fazer é políticas que os preparem melhor"

Quando Graça Carvalho estava a tirar o doutoramento, na sua turma os alunos eram de origens e de continentes distintos. "Era essa a riqueza daquela universidade: termos palestinianos, egípcios, nigerianos, norte-americanos, portugueses, gregos..." Cabeças que pensavam e desenvolviam em conjunto são a metáfora de que a antiga ministra da Ciência e Ensino Superior se socorre para explicar o resultado que a Europa pode atingir se tornar a maior fraqueza - o impasse das migrações - numa "enorme força". No gabinete onde trabalha hoje em Estrasburgo, no Parlamento Europeu, a eurodeputada do PSD conta à TSF as expectativas que tem para os próximos anos, desejando que a UE, mas também Portugal, se possam tornar mais jovens, inovadores e diversos. Para isso, defende, serão necessárias lideranças fortes.

"A pandemia veio mostrar a urgência de um rendimento básico incondicional"

"A pandemia veio mostrar a urgência de um rendimento básico incondicional"

Francisco Guerreiro caminha seguro no extenso chão do edifício do Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Há mais de um ano que é independente, luta pelas cores das próprias bandeiras, alinhadas com a família dos Verdes. O eurodeputado defende prioridades que não têm cabido na agenda política da Comissão Europeia, como o rendimento básico incondicional, que, diz, trará uma transição digital mais justa quando alguns trabalhos forem substituídos pela automação. Mas, à conversa com a TSF, não saltam apenas críticas ao executivo comunitário. No mesmo dia em que escreveu no Twitter que "a falta de harmonização europeia a nível de cuidados de saúde é gritante", porque tomar café na esplanada em França requer certificado, também dirige críticas ao Governo português, por adotar o "chavão" da economia digital e verde sem lhe fazer justiça.