Quem é mais europeísta e quem é mais Trump?

Eurodeputados portugueses debateram questões de interesse para a União Europeia, numa discussão moderada por Ricardo Alexandre, no ISCTE em Lisboa.

Pedro Marques considera que o PS é o partido "mais europeísta" em Portugal e afirma-se como um "projeto de futuro, contra uma Europa de sanções do passado - da direita europeia".

O cabeça-de-lista do PS às eleições europeias defende que a "Europa tem de ser ambiciosa para resgatar a relação entre os cidadãos e o projeto europeu". Pedro Marques garante que o partido não tem uma "visão utópica" mas quer dar um contributo "para afastar os nacionalismos e a extrema-direita, para que a Europa continue a ser mais Europa, masque seja uma Europa dos cidadãos".

Paulo Rangel considera que a Europa "é o projeto mais bem-sucedido da história da humanidade", garantindo que o PSD olha para a Europa "como uma oportunidade de criar maior coesão territorial".

A cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda às eleições europeias diz acreditar numa Europa "que possa dar resposta aos problemas concretos das pessoas".

Usando a crise financeira como exemplo, Marisa Matias defende que a recessão agravou as desigualdades e deu "mais ênfase aquilo que são as capacidades de interferir nas políticas europeias do setor financeiro e de outros grupos organizados e com mais poder".

O eurodeputado da CDU sublinha que a União Europeia está associada a duas décadas de estagnação em países como Portugal. João Ferreira fala de salários congelados, perda do poder de compra, aumento da idade de reforma, destruição de serviços públicos, privatização de serviços, defendendo que "tudo isto é necessário reverter".

João Ferreira considera que o processo de integração europeu "defende os interesses de grandes potências e dos interesses económicos dessas grandes potências", garantindo que "esta resposta nunca foi a única possível".

O cabeça-de-lista do CDS às europeias, Nuno Melo, defende que a União Europeia é o espaço onde "melhor se vive à escala planetária. Não é a Venezuela, como os comunistas defendem. Não é Cuba. Não é a Coreia".

António Marinho Pinto, eleito para o Parlamento Europeu pelo MPT e que agora se recandidata pela sigla que fundou, o Partido Democrático Republicano (PDR), defende que os próximos cinco anos devem ficar marcados pela coesão interna. "A todos os países da UE deve ser garantido o mesmo potencial de crescimento".

Tendo em conta que 85% dos investimento público feito em Portugal usa fundos europeus, Marinho Pinto pergunta "porque é que Portugal ainda está na cauda da Europa?". O eurodeputado faz uma autocrítica explicando que "não houve da parte de Portugal e dos portugueses o esforço que devia haver".

Relação Transatlântica

O quarto debate promovido pela TSF sobre as eleições europeias ficou também marcado pela discussão do papel da Europa na relação transatlântica.

Paulo Rangel considera que "os Estados Unidos são e devem ser o parceiro preferencial da Europa no quadro global", apesar de a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA ter sido "muito negativa para a relação transatlântica, criando desconfiança e tensão entre os pilares europeus e americanos".

O social-democrata entende que a Europa deve ser "firme e dura com as politicas e atitudes de Trump que consideremos que são irritantes", recordando que a passagem pela presidência dos EUA de Donald Trump é transitória.

Marinho Pinto considera que a relação da Europa com os Estados Unidos da América deve ser de igual para igual. "Não é só o Donald Trump que tem discursos antieuropeus. Há, na Europa, setores que desenvolvem há muitos anos uma hostilidade antiamericana".

Em relação à questão da defesa, o eurodeputado defende a criação de um exército único europeu, através da integração da defesa europeia. "É o esforço que cada país faz para a sua própria defesa, fazê-lo ao nível europeu. Ficava mais barato e, sobretudo, tínhamos um ganho democrático muito grande".

Nuno Melo considera que "as democracias têm de investir nos exércitos" mas não é a favor de um exército único europeu como defendeu Marinho Pinto. "Nós devemos beneficiar do dinheiro europeu para modernizar as nossas Forças Armadas e estarmos à altura das nossas tarefas no âmbito da NATO".

No campo da relação transatlântica, Marisa Matias sublinha que a União Europeia não pode fechar os olhos ao que está acontecer no Brasil, argumentando que Bruxelas não deve avançar com as negociações para o início da plataforma comercial com o Mercosul, enquanto não forem garantidos o respeito fundamental pelos direitos humanos. "O que estamos a ver é que no Brasil, com a eleição do Bolsonaro em particular, estão a destruir-se comunidades inteiras, está a atacar-se os direitos dos povos indígenas em nome da agricultura intensiva".

Para Pedro Marques é importante valorizar a relação da Europa com África. "A próxima presidência portuguesa da União Europeia terá como prioridade a relação com África e é uma das nossas prioridades do nosso partido para os próximos cinco anos".

Alterações climáticas

Em relação ao combate das alterações climáticas, a CDU defende que deve ser dada uma maior preponderância às politicas públicas e ao papel do Estado legislador. "Trabalhei na diretiva sobre as emissões industriais que estabelece uma abordagem normativa, com base numa avaliação das melhores tecnologias disponíveis, estabelecendo limites máximos de emissão" explicou João Ferreira recordando que "a CDU foi a única força no Parlamento Europeu, daquelas que aqui estão representadas, que recusou votar favoravelmente qualquer resolução que inclua a defesa do mercado de carbono".

O Bloco de Esquerda defende a criação de um estado de emergência climática a nível europeu. Marisa Matias pede ainda um plano de investimentos públicos para o combate às alterações climáticas, para que a comparticipação nacional não seja contabilizada para o cálculo do défice, explicando que "de outro forma nunca teremos investimento decente no combate público às alterações climáticas".

Marinho Pinto, eurodeputado que é novamente candidato pelo Partido Democrático Republicano, considera que a Europa deve apostar numa política energética comum, "em que a utilização de energia seja feita de uma forma racional em benefício do todo o coletivo".

Debate TSF "A Hora da Europa"

O debate contou com os cabeças-de-lista dos cinco maiores partidos: Pedro Marques (PS), Paulo Rangel (PSD), João Ferreira (CDU), Nuno Melo (CDS), Marisa Matias (Bloco de Esquerda) e ainda António Marinho Pinto (eleito para o Parlamento Europeu pelo MPT e que agora se recandidata pela sigla que fundou, o Partido Democrático Republicano).

Este foi o quarto debate promovido pela TSF em universidades públicas portuguesas sobre as eleições europeias do próximo dia 26 e depois dos anteriores em Coimbra, Porto e Minho (Braga), o debate no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa insere-se na conferência internacional Europe as a Global Actor (Europa como Ator Global), uma organização conjunta do ISCTE, Universidade Autónoma de Lisboa e TSF, que decorre até esta sexta-feira e junta dezenas de participantes.

"A Hora da Europa" na TSF tem o apoio do Parlamento Europeu.

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