"É como se fosse o Multibanco." Évora testa voto eletrónico, mas nem todos querem aderir

O distrito de Évora foi escolhido para um projeto-piloto, que vai testar o voto eletrónico, percorrendo 50 mesas de voto dos 14 concelhos. Mas nem todos os eleitores estão dispostos a experimentar.

Passavam cinco minutos das 8h00 horas quando Manuel Sérgio deu entrada no pavilhão de feiras de Reguengos de Monsaraz, ao lado do amigo António Marcão. É por lá que funcionam as mesas de voto para as Eleições Europeias e seriam eles os primeiros eleitores da cidade a experimentarem o voto eletrónico.

O balanço? "Foi agradável, não tive dificuldades, apesar de não estar habituado à tecnologia, e gostei da inovação, porque é tudo muito óbvio", sublinhou à TSF. Já o amigo António teve mais dificuldades na hora de manusear o equipamento.

"Coloquei mal o cartão de voto na ranhura da máquina. Como não fazia nada, empurrei com mais força e ficou lá dentro. Tiveram que o retirar eles, mas depois correu bem", relatou, admitindo que este sistema impede que haja algum erro na votação. "Assim que se escolhe o partido, a máquina pede a confirmação e é impossível falhar", resumiu.

Foi precisamente essa a mais-valia encontrada por Maria Gomes, que até comparou este método com a caixa ATM. "É tão fácil. Fui à mesa, entreguei o Cartão de Cidadão e deram-me o cartão de voto. Depois fui à máquina e fiz como se fosse no Multibanco. Votei e não me enganei, porque a máquina pede confirmação", justificou.

A votação decorria calma por Reguengos durante a manhã, onde as mesas de voto estavam concentradas no parque de feiras, onde se ouviam os motores das viaturas participantes na Baja TT Capital dos Vinhos. Os pilotos do distrito de Évora prometiam votar lá mais para a tarde, porque estavam de corpo inteiro na prova.

Que o diga António Cuco, que não quer perder a oportunidade de experimentar o voto eletrónico. "Votar é um dever cívico, tantas pessoas lutaram por isto e penso que esta inovação até vem tarde face a outros países. Talvez ajude no combate à abstenção", disse, enquanto José Calixto, presidente da autarquia, que fez questão de acompanhar o processo eleitoral, admitia que "a mobilidade é a grande mais-valia do voto eletrónico".

Ou seja, os eleitores podem votar em qualquer uma das 50 mesas desde que estejam recenseados num dos 14 concelhos do distrito. Por exemplo, um eleitor recenseado em Évora pode votar na única mesa do Alandroal, concelho onde por volta do meio-dia se contavam pouco mais de cem votos, divididos entre o inovador método e o sistema tradicional, segundo avançava Manuel Varandas, presidente da mesa eletrónica.

Assumia à TSF que tudo estava "a correr bem", atestando que os idosos se têm mostrado mais reticentes. "Depois de tentarem perceber como isto funciona preferem votar à mão", disse, tendo sido precisamente essa a opção de Nazaré Sousa. "Estou habituada assim. Talvez da próxima vez experimente o outro, porque concordo que temos de inovar."

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