Portugal está no caminho dos detritos de foguetão chinês, mas a probabilidade de "cair nas nossas cabeças é muitíssimo reduzida"

Em declarações à TSF, o astrónomo Miguel Gonçalves afasta razões para alarme, mas apela a que comece a pensar-se em formas de evitar a repetição de episódios como este.

Portugal é um dos países na rota dos detritos de um foguetão da Agência Espacial Chinesa que estão a cair em direção à Terra. As autoridades europeias adiantam que os restos do Long March 5B, que tinha sido lançado a 24 de julho, devem reentrar na atmosfera terrestre neste fim de semana.

A rota ainda não está completamente definida, mas um mapa publicado esta semana pela Agência da União Europeia para a Segurança na Aviação aponta a que estes detritos atinjam Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Malta e Bulgária.

Com 17 a 22 toneladas de massa, estes são dos maiores objetos artificiais a cair, sem controlo, em direção à Terra ao longo dos últimos anos. Em declarações à TSF, o astrónomo Miguel Gonçalves garante que não há razões para alarme.

"A probabilidade de um objeto num fenómeno de reentrada na atmosfera cair nas nossas cabeças é muitíssimo reduzida", garante, sublinhando que "grande parte da superfície da Terra é água e muitos desertos", pelo que a probabilidade de queda em zonas habitadas "é mesmo muito reduzida".

"Não há registo, na história da exploração espacial, de uma qualquer fatalidade humana com a queda deste tipo de objetos", assinala o astrónomo, que não deixa de assinalar que "devemos olhar com especial cuidado para este tipo de fenómenos", admitindo que podem tornar-se mais frequentes.

Esta não é a primeira vez que a China está envolvida em episódios desta natureza e Miguel Gonçalves admite "desconfiar de que não será a última" porque "parece que está a tornar-se numa espécie de modus operandi do país deixar entrar de uma maneira absolutamente descontrolada estes estágios dos grandes foguetões".

Em maio de 2021, um outro foguetão chinês caiu perto das Maldivas, e o astrónomo denuncia o que diz uma clara falta de regulamentação internacional, um "grande, grande desafio" para a indústria aeroespacial.

As Nações Unidas, assinala, "têm várias estruturas que poderiam ser este grande chapéu multinacional, um denominador comum de toda esta nova legislação, mas também a este nível parece que a inoperância está a ser a regra, infelizmente".

No caso, a envolvida é uma agência espacial nacional - a da China -, "mas passa-se exatamente o mesmo com as empresas comerciais".

"Numa altura em que estamos a enviar lá para cima cada vez mais satélites, é muito, muito urgente fazermos alguma coisa em relação a isto", apela.

Enquanto não há notícias vindas do céu, a Agência da União Europeia para a Segurança na Aviação já emitiu um alerta a toda a aviação: atenção à informação que vai sendo divulgada sobre a queda deste foguetão.

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