Será que o Homo Sapiens chegou mais cedo à Península Ibérica do que se pensa?

É uma das questões a que a investigação da arqueóloga Vera Aldeias vai tentar responder. A cientista ganhou uma bolsa de quase dois milhões de euros.

Como foi a evolução do Homem de Neardental para o homem da época moderna, o Homo sapiens? Como viviam em diferentes pontos da Europa, que animais e plantas existiam na altura? Vera Aldeias espera poder responder a todas estas questões utilizando métodos modernos.

"Vamos olhar para essa transição através de coisas que estão preservadas e são microscópicas, nomeadamente pequenas partículas de ADN, de proteínas, mas também de lípidos, que nos podem dizer quem estava a habitar aquele sítio arqueológico naquela altura, qual o ambiente e que género de comportamentos é que tinham", conta a cientista.

O projeto MATRIX, explica a investigadora, "foca-se no período de transição de Neandertais para os Sapiens - um momento fulcral na nossa evolução e que pode ajudar-nos a explicar porque é que a nossa espécie é hoje a única a habitar o planeta".

A investigadora, arqueóloga do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve, recebeu uma bolsa Starting do Conselho Europeu de Investigação no valor de quase dois milhões de euros, a primeira vez que uma bolsa desta instituição é atribuída a Portugal na área de arqueologia.

Vera Aldeias assume-se como uma geoarqueóloga. A partir da terra consegue perceber os tempos antigos ao microscópio. A equipa por si liderada vai analisar um conjunto alargado de sítios arqueológicos, desde a Geórgia até Portugal, para perceber a dinâmica da passagem do Neandertal para o Homo Sapiens. O projeto vai analisar os sedimentos (a terra) e, com o auxílio de novas tecnologias, extrair moléculas preservadas que poderão levar à descoberta sobre que humanos, animais e até plantas existiam nessa altura.

A cientista vai liderar uma equipa de cinco pessoas, mas conta com outros colaboradores em vários locais da Europa. Em Portugal, os trabalhos vão decorrer na Gruta do Picareiro, situada na Extremadura.

Ao todo foram cinco os investigadores portugueses que ganharam bolsas do Conselho Europeu de Investigação, num total de 8,3 milhões de euros.

São bolsas atribuídas a investigadores em início de carreira e às quais se candidataram mais de quatro mil cientistas. Manuel Souto, da Universidade de Aveiro, Sérgio Rosa Domingos, Universidade de Coimbra, Susana Soares, da Universidade do Porto, e Yonatan Gez, do ISCTE são os restantes cientistas distinguidos.

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