Vento que consegue inverter o campo magnético e outras "grandes surpresas" do Sol

Protegida com um escudo térmico de carbono, Parker enfrentou temperaturas de 1400ºC na aproximação ao Sol. Mas são as descobertas sobre o vento solar que estão a impressionar a comunidade científica.

Um ano e um mês depois da maior aproximação de sempre ao Sol, a sonda Parker continua a desvendar os segredos da estrela que dá vida ao planeta Terra.

Esta quarta-feira foram publicados novos dados sobre as descobertas da sonda da NASA sobre a forma como a energia e o calor circulam através da camada de plasma e gás ionizado que constituem a coroa solar e assim estudar a forma como a radiação solar interfere com o clima espacial.

"Há informação que confirma o que já esperávamos, mas também informação totalmente inesperada", disse aos jornalistas Nicola Fox diretor do departamento de heliofísica da agência espacial norte-americana.

Uma das "grandes surpresas" foi a deteção de picos repentinos e abruptos na velocidade do vento solar, com rajadas que podem chegar aos 480 mil quilómetros por hora. Um fenómeno tão violento é capaz de provocar uma total inversão da direção do campo magnético do sol, os chamados "switchbacks."

"Estas ondas poderosas abalaram a sonda como ondas no oceano", explicou o investigador Justin Kasper à Reuters. "Carregam tremendas quantidades de energia".

Ao analisar das descobertas da Parker sobre os ventos solares os investigadores concluem que os ventos mais lentos parecem ter origem na atmosfera do sol, através de pequenos orifícios na coroa, uma zona centenas de vezes mais quente do que a superfície.

As recolhas da sonda revelaram que as partículas do vento solar parecem ser libertadas em jatos explosivos provenientes destes orifícios na região do equador do sol, em vez de serem irradiadas de forma constante. "É bang, bang, bang", descreveu Tim Horbury, co-investigador do Parker Solar Probe Fields no Imperial College de Londres, em declarações ao The Guardian.

Entre as principais descobertas da Parker na aproximação ao Sol a NASA destaca ainda a revelação de que os ventos solares não são lineares como se imaginava, apesar de chegarem de forme uniforme à Terra, e que a poeira cósmica não chega ao Sol - para a mais de 5,6 quilómetros de distância.

No dia 6 de novembro de 2018 a sonda Parker da NASA esteve a 24 milhões de quilómetros da superfície solar, batendo um recorde de 1976. Um mês depois enviou a primeira fotografia captada dentro da atmosfera do Sol, junto à coroa solar, a camada mais externa da atmosfera da estrela.

Nos próximos seis anos a Parker fará mais 24 aproximações do Sol, chegando a cerca de 6,2 milhões de quilómetros da superfície no ponto máximo. Chegará assim sete vezes mais perto do que a sonda Helios 2, que detinha o anterior recorde de distância.

Além de ser o objeto que chegou mais perto do Sol, esta sonda vai viajar a 696 mil quilómetros por hora na sua órbita final, antes de colapsar, o que a tornará também no objeto feito por humanos mais rápido de sempre.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de