Navio Aquarius

Aquarius ao fundo. Navio obrigado a deixar de operar por suspeitas de poluição

Associações responsáveis pelo navio acusam autoridades europeias de sabotagem de missões humanitárias.

É o fim de um navio humanitário que transportou milhares de migrantes. Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram esta quinta-feira que o navio Aquarius terminou as operações devido às acusações de despejo de "lixo tóxico" junto a portos marítimos no sul de Itália.

O navio, que é também responsabilidade da SOS Mediterranée, estava bloqueado no porto de Marselha desde o final do mês de setembro, altura em que perdeu a bandeira e registo panamiano. O Aquarius era o último navio a operar a partir da Líbia, um ponto-chave na partida de muitos africanos subsaarianos em direção à Europa.

Em comunicado, a responsável dos MSF no Reino Unido, Vickie Hawkins diz que este é "um dia negro. Não só a Europa falhou em providenciar recursos de busca e salvamento, como também sabotou ativamente a tentativas de outros em salvar vidas."

"O fim do Aquarius significa que mais vidas serão perdidas no oceano; mais mortes evitáveis ficarão sem testemunhas ou registos. É mesmo um caso de 'longe da vista, longe do coração' para os líderes do Reino Unido e da Europa, enquanto homens, mulheres e crianças sucumbem", lê-se.

Responsáveis negam resíduos tóxicos

A acusação de despejo de resíduos médicos potencialmente perigosos foi feita em novembro deste ano por magistrados italianos. O responsáveis pelo navio negaram qualquer ação ilegal e apontam o dedo à justiça italiana, acusando-a de tentar criminalizar missões humanitárias de busca e salvamento.

Só em 2018, estima-se que tenham morrido mais de duas mil e 100 pessoas no Mediterrâneo, provenientes sobretudo de território líbio.

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