Internacional

Dijsselbloem: "Não se pode gastar em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda"

"Não se pode gastar em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda" afirmou o presidente do Eurogrupo numa entrevista. Confrontado por eurodeputados com essas declarações, Dijsselbloem não pede desculpa.

Ao jornal alemão Frankfurter Allegemeine, Dijsselbloem afirmou "durante a crise do euro, os países do norte mostraram solidariedade com os países afetados pela crise. Como social-democrata, atribuo uma importância extraordinária à solidariedade, mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda". São estas as declarações do ainda presidente do Eurogrupo que causaram mal-estar no Parlamento Europeu. Dijsselbloem terminou a frase dizendo que "este principio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu".

Jeroen Dijsselbloem foi confrontado por eurodeputados com aquilo que disse em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allegemeine. Os parlamentares queixam-se que os países do sul da Europa estão a ser insultados pelo ministro das finanças holandês, mas Dijsselbloem defende-se garantindo que não quis "ofender quem quer que seja" e por isso não vai "pedir desculpa".

"Sou social-democrata e valorizo muito o princípio da solidariedade numa sociedade, na Europa. Mas a solidariedade deve ser sempre acompanhada de compromissos e esforços", respondeu o presidente do Eurogrupo aos eurodeputados, afirmando ainda que quando falou na entrevista, não se estava a referir apenas aos países do sul.

Numa primeira fase, as reações às palavras do presidente do Eurogrupo vieram todas de Espanha. Para além dos eurodeputados, antes, o ministro espanhol Luis de Guindos classificou as declarações como "infelizes". "Estou confiante que o próprio Dijsselbloem está arrependido dessas palavras".

Socialistas Europeus dizem que Dijsselbloem foi longe demais

O grupo dos Socialistas Europeus, ao qual Dijsselbloem também pertence, já reagiu a estas declarações, que considerou "vergonhosas e chocantes", e sustenta que o presidente do Eurogrupo "foi longe demais, ao utilizar argumentos discriminatórios contra os países do sul da Europa".

Esta nova polémica a envolver Dijsselbloem ocorre numa altura em que a sua posição como presidente do Eurogrupo está particularmente fragilizada, na sequência dos resultados eleitorais da passada semana na Holanda, que ditaram uma derrota histórica do seu partido, o PvdA, que era parceiro de coligação do VVD (centro-direita) do primeiro-ministro Mark Rutte, mas que agora passou de 38 para nove deputados.

Por ocasião do Eurogrupo de segunda-feira em Bruxelas, Dijsselbloem admitiu que, quando houver um novo ministro das Finanças holandês, caberá aos países da zona euro tomar uma decisão sobre o seu cargo, mas sublinhou que tal ainda poderá "levar alguns meses".

"Como sabem, o meu mandato vai até janeiro [de 2018] e a formação de um novo governo de coligação na Holanda pode levar alguns meses. Ainda é muito cedo para dizer se vai haver um hiato entre a chegada do novo ministro e o final do meu mandato", salientou Jeroen Dijsselbloem, à entrada para uma reunião do Eurogrupo.

Já este mês, por ocasião da reeleição do presidente do Conselho Europeu durante uma cimeira em Bruxelas, o primeiro-ministro, António Costa, mostrou-se favorável a uma mudança "rápida" na liderança do fórum de ministros das Finanças da zona euro, para que seja possível ter também no Eurogrupo "um novo presidente, capaz de dar um sinal positivo para a construção dos consensos que são essenciais para uma zona euro mais estável e que seja um fator de união entre todos os países da zona euro".