Parlamento Europeu

Eurodeputada Maria João Rodrigues nega "categoricamente" acusações de assédio laboral

Assistente parlamentar da eurodeputada queixa-se de chamadas feitas fora do horário de expediente. Maria João Rodrigues reage na TSF e mostra-se tranquila.

A eurodeputada socialista Maria João Rodrigues está a ser investigada pelo Parlamento Europeu devido a uma denúncia feita por uma assistente parlamentar do seu gabinete. A notícia foi confirmada à TSF pela própria.

"Uma assistente parlamentar, que colaborou comigo durante três anos, apresentou uma queixa, muito embora nunca tenha manifestado qualquer problema ou mal-estar. Foi com grande surpresa e um certo choque que recebi uma queixa da parte dela", contou à TSF a eurodeputada, que garantiu ter "procurado" a funcionária em questão para conversarem. A assistente não acedeu ao pedido, algo que Maria João Rodrigues lamenta.

Foi o site POLITICO ,quem avançou com a notícia, depois de ter tido acesso a um e-mail no qual o comité parlamentar que analisa queixas de assédio dizia, em novembro, que "decidiu investigar o caso e ouvir os envolvidos." Segundo fonte do Parlamento ligada ao processo e citada pelo POLITICO, as acusações serão nove e incluem tentativas de reduzir as horas de trabalho e o salário a um membro do staff após uma licença de maternidade, pedidos de tarefas noturnas a um outro colaborador que estava de baixa e a exigência de trabalho fora do horário de expediente ao staff. A mesma fonte adiantava que a queixa foi apresentada em junho do ano passado e que vários dos seus colaboradores já foram ouvidos pelo comité que conduz a investigação.

À TSF, a eurodeputada explica que a assistente em questão queixa-se de que Maria João Rodrigues lhe telefonava "depois das 17h", algo que a eurodeputada confirma ter feito."Verificou-se quando eu tinha um problema de viagem com alguma alteração de planos ou necessidade remarcar um avião", sendo que esta assistente era responsável pela gestão dos transportes e agenda.

"Terei recorrido a ela umas 6 ou 7 vezes por ano, mas ela entende que isso vai além da sua obrigação profissional", esclarece. "Também se queixa de que a pressão do trabalho era elevada. É, sem dúvida, elevada", reconhece a eurodeputada, lembrando que esta assistente trabalhava no gabinete de alguém "que não é só deputada mas é também vice-presidente de bancada e, durante uma certa fase, foi mesmo líder de bancada de um grupo que tem 180 deputados".

Perante estas acusações, Maria João Rodrigues é clara ao negar "categoricamente certas versões" noticiadas pela imprensa, "assentes em fontes que nem estão identificadas", reforçando que o seu depoimento é o que deu à TSF e que tem "todas as condições para comprovar" o que diz.

A eurodeputada entende que este tipo de assuntos ganha uma sensibilidade particular numa altura em que se compõem listas para as eleições europeias. No entanto, reforça que está tranquila e a aguardar o desfecho deste caso.

"Há vários casos destes no Parlamento Europeu, entendimentos diferentes das obrigações profissionais e há uma comissão parlamentar que lida com isto. Ouviu as duas partes: a assistente e eu própria", explica. Deve agora seguir-se uma recomendação de "como lidar com a situação." Não vendo mais nada de particular neste caso, a eurodeputada entende que, com a aproximação das eleições europeias, "há uma certa tendência para pegar em casos destes e dar-lhes um tratamento mais partidarizado."

As situações descritas nas denúncias inserem-se num quadro de "conduta imprópria, a forma como o Parlamento Europeu define o assédio psicológico, algo que é "repetitivo ou sistemático e envolve comportamentos físicos, linguagem escrita ou falada, gestos ou outras ações intencionais que possam diminuir a personalidade, dignidade ou integridade física ou psicológica da pessoa."

Segundo as regras do Parlamento Europeu, a abertura de uma investigação significa que o caso já passou por um "estudo preliminar", feito obrigatoriamente até 40 dias após a receção da queixa. As conclusões da investigação são enviadas de forma confidencial ao presidente do Parlamento Europeu, que é neste momento Antonio Tajani.

Caso a investigação encontre indícios de assédio, o presidente do Parlamento deve reconhecer as acusações e dar a conhecer as sanções durante o plenário, que podem incluir privar os eurodeputados da cobertura das suas despesas.

  COMENTÁRIOS