Estados Unidos da América

Indemnização de 71 milhões de euros para homem com cancro causado por herbicida da Bayer

Roundup é, segundo o júri, a causa do linfoma não-Hodgkins diagnosticado a Edwin Hardeman.

A gigante alemã Bayer foi esta quarta-feira condenada por um júri norte-americano a pagar uma indemnização de 80 milhões de dólares (71 milhões de euros) a um homem que diz ter contraído cancro por utilizar um dos herbicidas manufaturados pela empresa.

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O produto é o Roundup - um herbicida com base de glifosato - e, segundo o júri, é a causa do linfoma não-Hodgkins diagnosticado a Edwin Hardeman.

A multa divide-se em duas fatias: 5 milhões de dólares (4,4 milhões de euros) para compensações e 75 milhões de dólares (66 milhões de euros) em punições e tem como base a falha da Monsanto - comprada pela Bayer em 2018 - em alertar para o risco cancerígeno deste produto e o comportamento negligente da companhia.

A companhia alemã já fez saber que está desapontada com esta decisão e que vai recorrer da mesma. "Este veredicto não altera o peso de mais de quatro décadas de ciência exaustiva e das conclusões dos reguladores de todo o mundo, que atestam a segurança dos nossos herbicidas com base de glifosato e garantem que os mesmos não são carcinogénicos", lê-se na reação da Bayer.

A 19 de março, este mesmo júri tinha apontado o Roundup como um "fator substancial" no aparecimento do cancro de Hardeman, algo que permitiu que o processo avançasse para uma segunda fase. Desde aí, as ações da Bayer já caíram mais de 12%.

Nesta segunda fase do julgamento, os advogados de Hardeman conseguiram apresentar documentos internos - que antes tinham sido rejeitados - e que alegadamente demonstram várias tentativas da Bayer em influenciar cientistas e reguladores acerca da segurança dos seus produtos.

Citados pela Reuters, os advogados vencedores deste julgamento reforçaram que "tal como fica demonstrado por este criterioso julgamento, desde o aparecimento do Roundup há 40 anos, a Monsanto recusa-se a agir com responsabilidade", acrescentando que, em vez disso, a empresa concentrou-se em "manipular a opinião pública e sabotar todos aqueles que mostram preocupação genuína e legítima acerca do Roundup".

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