"Não haverá uma terceira oportunidade." Há mudanças no acordo do Brexit e é agora ou nunca

A primeira-ministra britânica e o presidente da Comissão Europeia chegaram a um acordo renovado para a saída do Reino Unido da União Europeia. A fronteira da Irlanda é a grande questão em cima da mesa. O documento é votado esta terça-feira pelo Parlamento britânico.

Theresa May anunciou"mudanças legais" no seu acordo para o Brexit, esta madrugada, em Estrasburgo, horas antes de este ser votado no Parlamento do Reino Unido. A primeira-ministra britânica está confiante de que, com esta adenda, conseguirá garantir todas as exigências feitas pelos deputados britânicos.

"Os deputados foram claros quanto à necessidade de alterações legais. Hoje assegurámos essas alterações", disse May em conferência de imprensa. "Agora é tempo de nos unirmos e apoiarmos este acordo melhorado do Brexit".

No entanto, na mesma conferência de imprensa, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que se o documento voltar a ser chumbado, não haverá uma terceira hipótese e que o mais certo é que o Reino Unido abandone a União Europeia sem qualquer acordo que salvaguarde os seus interesses.

"Na política, às vezes temos uma segunda oportunidade. É o que fazemos com essa segunda oportunidade que conta. Não haverá uma terceira", declarou Juncker.

"Vamos ser claros quanto a esta escolha: ou é este acordo ou o Brexit pode não acontecer de todo", sublinhou.

Theresa May viajou esta segunda-feira até ao Parlamento Europeu, para ultimar conversações sobre o acordo com Juncker e com o chefe das negociações da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, antes da votação desta terça-feira.

O Governo britânico afirma que as mudanças conseguidas no acordo significam que a União Europeia "não poderá tentar encurralar o Reino Unido" quanto à questão do "backstop" da fronteira da Irlanda(país que pertence à União Europeia) com a Irlanda do Norte (região que integra o Reino Unido). As partes comprometeram-se a não voltar a ter uma fronteira fechada entre as duas, o que aconteceria se o assunto não fosse salvaguardado no acordo do Brexit. Ficou então decidido que a Irlanda do Norte se manterá alinhada com algumas das regras do mercado único da União Europeia, em contraste com o restante território do Reino Unido - o que tem sido encarado como uma ameaça à união do país. Com esta adenda ao acordo, o Governo britânico passará a poder abrir uma disputa legal se, até dezembro de 2020, não for encontrada uma alternativa para o problema.

O líder da oposição britânica, Jeremy Corbyn, do Partido Trabalhista, já veio apelar aos deputados para votarem contra o acordo, alegando que as negociações de Theresa May com Bruxelas "falharam" e que o anúncio agora feito "não referiu nenhuma mudança" que a primeira-ministra prometera ao Parlamento.

O Governo de Theresa May está dependente do apoio dos deputados do Partido Unionista Democrático (DUP), que já firmou que irá "escrutinar o texto linha por linha", antes de anunciar se apoia o novo documento.

Para que o acordo do Brexit siga, é necessário que o Parlamento aprove o documento estabelecido entre o Governo britânico e Bruxelas. A última vez que o acordo foi votado pelos deputados britânicos, em janeiro, sofreu uma rejeição histórica, tendo sido chumbado por uma margem de 230 votos.

Está previsto que o Reino Unido abandone a União Europeia a 29 de março de 2019. Mas já poucos acreditam que seja possível cumprir esta data.

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