"O coração da mensagem de Bolsonaro é a apologia do assassinato"

Em entrevista à TSF, o sociólogo Ivan Nunes fala de um ambiente "anestesiado" a poucos dias da segunda volta das eleições.

A poucos dias da segunda volta das eleições no Brasil, a vitória de Jair Bolsonaro parece cada vez mais certa. O sociólogo Ivan Nunes conversou com a TSF, no Rio de Janeiro, sobre o cenário brasileiro, começando pelas últimas sondagens, que dão quase 60% das intenções de voto a Bolsonaro.

"Há muita gente que decide o voto em cima da hora", começa por explicar o sociólogo. "Depois da primeira volta, 18% dos eleitores disseram que tinham decidido o seu voto no fim de semana das eleições."

Quando ainda faltava uma semana para a primeira volta das eleições, explica Ivan Nunes, estava a criar-se um "clima" que podia ser favorável a Jair Bolsonaro. Embora o candidato não chegasse a reunir 40% das intenções de voto, "havia o risco" de chegar aos 50%, cenário que por pouco não se concretizou.

A combinação destas indecisões, aliada à "massa de população" que pode mudar o voto nas últimas horas antes da votação, pode ser então o fator que vai decidir as eleições.

O ambiente no Brasil não é, neste momento, de "grande tensão eleitoral". É antes um "ambiente anestesiado".

A possível eleição de Bolsonaro

O cenário da eleição do candidato do Partido Social Liberal (PSL) é, para Ivan Nunes, algo com "gravidade".

O acumular de declaração e factos, "coisas gravíssimas", a que se junta o assassínio de Marielle Franco levado a cabo por "milícias", que Bolsonaro se recusou a comentar por considerar que a sua opinião seria demasiado "polémica" e a destruição da placa de homenagem à vereadora por parte de dois candidatos que acabaram por ser eleitos, denota que está é uma candidatura que assenta sobre um desejo de "vingança", considera o sociólogo.

As instituições democráticas do Brasil

Têm sido várias as comparações entre Jair Bolsonaro e Donald Trump. Ainda assim, Ivan Nunes considera que há um ponto fulcral que os separa: "Trump não faz a apologia do assassinato", que é o "coração da mensagem de Bolsonaro".

"O polícia que não mata não é polícia. O polícia que mata 15 ou 20 tem que ser condecorado", diz o sociólogo sobre a campanha de Bolsonaro. "É o culto da morte."

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