Parceiro procura-se para governo sério. PSOE vence mas precisa de uma geringonça

Os socialistas do PSOE são os vencedores das eleições espanholas, mas precisam de encontrar uma solução para governar. Já o PP é o grande derrotado da noite. Leia aqui tudo sobre as eleições gerais em Espanha.

O PSOE foi o partido mais votado nas eleições gerais deste domingo, em Espanha, com 28,68%. Elege assim 123 deputados e fica aquém da maioria. Com estes resultados, os socialistas precisam de formar uma geringonça para governar.

O PP foi o grande derrotado da noite, com 16,70% (66 deputados), seguiu-se o Ciudadanos, com 15,86% (57 deputados) e o Unidas Podemos com 14,31% (42 deputados). Com 10,26% dos votos o Vox, de extrema-direita, entra pela primeira vez no parlamento - ganhou 24 deputados.

Pedro Sánchez, precisa do apoio de pelo menos 176 deputados, a metade mais um dos 350 eleitos no Congresso dos Deputados.

Os nacionalistas do País Basco não elegeram deputados suficientes para se juntar a um eventual governo PSOE + Unidas Podemos. O PNV (Partido Nacionalista Basco) obteve 1,51% dos votos (6 deputados) e o Bildu 0,99% (4 deputados).

Pedir apoio dos separatistas catalães era mais fácil, mas o líder do PSOE ver-se-ia obrigado a recorrer aos principais responsáveis pela queda do seu governo e pela marcação das eleições antecipadas. A ERC conseguiu 3,89% dos votos (15 deputados) e o JxCat chegou aos 1,91% (7 deputados).

Se se aliasse ao Cuidadanos, de direita, os dois partidos conseguiriam chegar à maioria, mas Rivera e Sánchez já descartaram completamente a possibilidade de uma eventual coligação pós-eleitoral.

A participação nas eleições foi de 75,79%, mais 9,3 pontos percentuais do que o registado no escrutínio de 2016, que foi 66,48%.

António Costa já felicitou Pedro Sánchez pela vitória do socialista PSOE.

Com a entrada do Vox no Parlamento espanhol, Portugal, Irlanda, Luxemburgo e Malta passam a ser os únicos países da União Europeia, para já, imunes à extrema-direita.

Três discursos em simultâneo

Ao mesmo tempo que Pedro Sánchez discursava na sede do PSOE, Pablo Casado e Albert Rivera também discursavam nas respetivas sedes de partido.

Pablo Casado admitiu que o "resultado foi muito mau", mas prometeu que o PP saberá ser "duro e maduro" na oposição.

Apesar de dizer que não descarta quaisquer responsabilidades pela derrota eleitoral, o líder do PP culpa a fragmentação da direita e também fez questão de lembrar que "estas eleições coincidiram com a Semana Santa".

"Já felicitei Pedro Sánchez e o Partido Socialista, é um grande partido em Espanha e espero que possa chegar a acordos de governabilidade sem precisar de partidos independentistas", destacou ainda.

A direção do PP vai reunir-se na segunda-feira para analisar a derrota eleitoral, anunciou a agência EFE.

Por sua vez, o líder do Ciudadanos, Albert Rivera, diz que "hoje começa um novo projeto vencedor para Espanha". E fica a promessa: "Mais cedo ou mais tarde, vamos controlar o governo, vamos governar Espanha", assegurou.

O discurso do vencedor

Pedro Sánchez, o vencedor destas eleições antecipadas, já discursa. Os espanhóis escolheram: "Ganhou o futuro (...) vamos governar Espanha".

Pedro Sánchez valora los resultados electorales

Publicado por PSOE em Domingo, 28 de abril de 2019

"Não passarão!", gritam os militantes socialistas em resposta às palavras do líder do PSOE, e também "Com Rivera não!"

"Ficou claro", concorda o líder socialista, afastando assim uma coligação com o Ciudadanos.

Acabar com a corrupção vai ser uma das bandeiras do governo liderado pelos socialistas, promete Pedro Sánchez. "Formaremos um governo pró-europeu para fortalecer a Europa e não a debilitar", defendeu ainda.

Pablo Iglésias já falou com Pedro Sánchez para formar governo

"Expressei a nossa disponibilidade para trabalhar no sentido de formar uma coligação de governo", disse aos militantes o líder da coligação Unidas Podemos em Madrid.

Numa altura em que estão apurados 98% dos votos, ainda que PSOE e Unidas Podemos unam forças ainda faltam 11 assentos parlamentares aos dois partidos para chegar à maioria.

"Esperávamos melhor, mas é um resultado suficiente para alcançar o nosso objetivo" de impedir que a direita chegue ao governo e formar uma coligação de esquerda, destacou.

PP em silêncio

Ao perder mais de metade dos deputados no Parlamento - passando dos atuais 134 deputados para apenas 66 - o PP é o grande derrotado da noite. Na sede de campanha do PP há muito poucos militantes e Pablo Casado ainda não se pronunciou sobre os resultados.

O voto dos independentistas

O PSOE ganhou em quase todas os municípios de Espanha, mas, sem surpresas, os partidos independentistas foram os mais votados no País Basco e na Catalunha. O PNV ganhou em Guipúzcoa, Vizcaya e Álava, e o ERC venceu em Lleida, Tarragona e Girona.

O antigo presidente do Governo regional catalão Carles Puigdemont destacou um "resultado histórico" , com 22 assentos conquistados pelos partidos independentistas.

"A Espanha unida, jamais será vencida."

"O Vox chegou para ficar. Agora temos uma voz no Congresso", destacou líder do Vox, Santiago Abascal, no seu primeiro discurso da noite eleitoral. "Temos de continuar a caminhar juntos, não pelo Vox, mas por Espanha. Este é apenas o princípio, bem-vindos à resistência. "

"A Espanha unida, jamais será vencida", gritam em resposta os militantes da extrema-direita espanhola.

Com 90% dos resultados apurados às 21h50:

PSOE: 28,83%
PP: 16,69%
Ciudadanos: 15,77%
Unidas Podemos: 11,98%
Vox: 10,24%

Em declarações à TSF, representantes dos vários partidos comentam os resultados

"O que vemos é que os partidos da direita estão em pulverização, no fundo têm três blocos. Naquilo que era a ala mais radical do PP foi para o Vox e é o PP que sofre esta erosão. A tendência do Vox é para a radicalização" , considera.

O deputado defendeu que o próximo Governo de Madrid terá de ser de "bloco e com eventuais acordos" e referiu a importância da estabilidade política.

"As forças de direita e da extrema-direita franquista, o PP e a Vox, em que se pensou chegarem a uma maioria, ainda que de forma fragmentada, não conseguem alcançar a maioria no parlamento" , frisou.

Em declarações à Lusa a eurodeputada do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, acusou o CDS-PP de branquear a imagem política do Vox e responsabilizou as forças de direita pela entrada da extrema-direita na Europa.

Com mais de 60% dos resultados apurados às 21h:

PSOE: 29,45%
PP: 16,68%
Ciudadanos: 15,16%
Unidas Podemos: 11,96%
Vox: 9,97%

Com estes resultados, os socialistas do PSOE precisam de formar uma geringonça para governar: Ou se juntam ao Unidas Podemos e aos independentistas bascos, ou formam uma coligação com o Ciudadanos.

Já uma união de direita - entre o PP, o Ciudadanos e o Vox, como aconteceu na Andaluzia, é praticamente impossível, mas o Vox consegue entrar pela primeira vez no Parlamento, com 23 deputados.

O PP é o grande derrotado da noite, passando dos atuais 134 deputados para apenas 65.

Nas ruas os militantes do VOX festejam:

Com mais de 45% dos resultados apurados às 20h50:

PSOE: 29,66%
PP: 16,70%
Ciudadanos: 14,74%
Unidas Podemos: 11,98%
Vox: 9,78%

Votar em Portugal

Em Portugal estão inscritos mais de 11.000 eleitores espanhóis. O Consulado de Espanha em Lisboa já registou 1.174 votos desde quarta-feira.

Pedro Sánchez já está na sede do PSOE

Com mais de 30% dos resultados apurados às 20h40:

PSOE: 29,77%
PP: 16,74%
Ciudadanos: 14,17%
Unidas Podemos: 11,96%
Vox: 9,49%

Com mais de 20% dos resultados apurados às 20h28:

PSOE: 29,72%
PP: 16,87%
Ciudadanos: 13,57%
Unidas Podemos: 11,99%
Vox: 9,22%

Um obrigado

No Twitter, os vários partidos deixaram mensagens de agradecimento a todos os que estiveram a trabalhar este domingo para tornar as eleições possíveis:

Já se contam votos

Com mais de 10% dos resultados apurados às 20h17:

PSOE: 29,53%
PP: 17,42%
Ciudadanos: 12,18%
Unidas Podemos: 11,90%
Vox: 8,52%

Acompanhe aqui em direto a contagem dos votos.

Grande afluência às urnas:

Cerca de 73,96% dos espanhóis foram às urnas, um aumento em relação aos 66,48% de 2016.

Primeiras projeções:

Segundo a sondagem à boca das urnas da TVE, o PSOE vence sem maioria e o partido de extrema-direita Vox consegue entrar no Parlamento ao eleger entre 36 e 38 deputados:

PSOE: 28,10% (116 a 121 deputados)
PP: 17,8% (69 a 73 deputados)
Unidas Podemos: 16,10% (42 a 45 deputados)
Ciudadanos: 14,40% (48 a 49 deputados)
Vox: 12,10% (36 a 38 deputados)
ERC: 3,3% (13 a 14 deputados)
PNV: 1,3% (6 deputados deputados)Urnas encerradas

As assembleias eleitorais encerraram às 20h00 locais (19h00 em Lisboa) em Espanha continental e nas Baleares, enquanto nas Ilhas Canárias encerrarão uma hora mais tarde. O dia decorreu com normalidade e sem incidentes.

Mais de 60% dos eleitores espanhóis já votaram

Às 14h00 (13h00 em Lisboa) já tinham votado mais de 41,49% dos eleitores e às 19h00 locais (18h00 em Lisboa) a taxa de participação era de 60,76% - 9.5 pontos percentuais acima dos números registados nas eleições de 2016 - com a Catalunha a destacar-se como a região com maior afluência .

Pedidos de última hora

Ao exercerem o seu direito de voto, os vários candidatos deixaram cada um o seu apelo aos eleitores. O líder do PSOE, Pedro Sánchez , pediu maioria parlamentar "suficientemente ampla" para ter um Governo estável; e o mesmo fez Pablo Casado (PP), lembrando que estas são as eleições mais decisivas para o destino da Espanha nos últimos tempos".

Albert Rivera (Ciudadanos) pediu uma "uma mudança de etapa, de era e de Governo, tudo junto" e Pablo Iglesias (Unidas Podemos)escolheu destacar uma das suas bandeiras: "no dia em que muitos espanhóis vão visitar a escola pública é um belo dia para recordar como é importante a educação pública e como é importante para a nossa democracia a necessidade de a proteger".

"Milhões de espanhóis vão votar com esperança, sem medo de nada nem de ninguém", disse, por sua vez, Santiago Abascal (Vox).

Um país de indecisos

As urnas abriram às 09h00 locais (08h00 em Lisboa). Segundo a agência espanhola Efe foram instaladas 212 mil urnas em 60.038 mesas, e 58.000 cabines.

Não é certo que quem obtenha o maior número de votos nas urnas seja mesmo quem vai o governar o país. Nas últimas sondagens antes das eleições, o PSOE aparece como o partido que mais votos vai obter, com 28,6%, seguido pelo PP (20%) e Ciudadanos (16%), Unidas Podemos (12,1%) e Vox (11%).

Com estes resultados, para garantir a reeleição, o primeiro-ministro espanhol teria de fazer uma espécie de geringonça com apoio do partido de esquerda Podemos e eventualmente dos nacionalistas do País Basco. Uma coligação de direita também pode chegar à maioria: se o PP, o Ciudadanos e o Vox decidissem unir forças podiam conseguir 45,6% dos votos.

Notícia atualizada às 7h51 de 29 de abril de 2019

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