Pedro Sánchez supera o primeiro round num debate centrado na Catalunha

Albert Rivera, do Ciudadanos, foi o mais agressivo dos quatro adversários, que esta noite voltam a encontrar-se no segundo e último debate antes das eleições.

O Ciudadanos tinha prometido um debate agressivo e cumpriu. Albert Rivera disparou em todas as direções. Atacou Pedro Sánchez com o processo independentista da Catalunha, encurralou Pablo Casado com o tema da corrupção no PP e subiu o tom num debate que foi muito mais moderado do que tem sido a campanha.

"O senhor Sánchez quer indultos em troca de deputados, precisa dos separatistas porque, se não, não governa. É uma emergência nacional enviar o senhor Sánchez, os separatistas e o senhor Iglésias à oposição e formar uma alternativa constitucionalista", disse o líder do Ciudadanos. E, seguidamente, mostrou uma fotografia de Pedro Sánchez, com o presidente da Generalitat da Catalunha, Quim Torra, para exemplificar o pacto entre os dois.

Pedro Sánchez defendeu-se, lembrou que foi com o PP na Governo que se deu o referendo ilegal na Catalunha e frisou que não há indultos sem uma sentença que ainda não existe. "Não pode haver indultos sem uma sentença firme, nem negar esse mesmo indulto de maneira preventiva", atirou. O presidente voltou a utilizar o seu célebre "não é não", utilizado quando se negou a viabilizar um governo de Mariano Rajoy, em 2016, para garantir que os socialistas não irão permitir a independência da Catalunha. "Não é não. E os independentistas, e a direita também, sabem que não vai haver independência, o resto são mentiras", explicou.

PP e Ciudadanos, apresentaram o programa económico do PSOE como uma ameaça à estabilidade de Espanha, e Sánchez desfiou então o rol de medidas sociais do Governo nestes 9 meses de legislatura, como a subida do salário mínimo a 900 euros e o aumento da licença de paternidade para as 8 semanas.

Com o discurso mais combativo dos quatro, Albert Rivera tentou afastar-se de Pablo Casado e disse que "o milagre económico do PP está na prisão", em referência aos casos de corrupção que afetaram o partido. O líder do PP, surpreendido com o ataque, lembrou que os dois não são adversários e pretendem governar juntos. "Acho que os seus eleitores, não vão perceber este ataque. Não somos adversários", respondeu.

Apesar da ausência do Vox no debate, Sánchez também não perdeu a oportunidade de encostar o PP e o Ciudadanos à extrema-direita, apelando ao voto para que não se repita em Espanha o que aconteceu noutros países. "Eu achava que Trump não ia ganhar e ganhou, achava que o Brexit não ia acontecer e aconteceu eu achava que na Andaluzia não iam pactuar Ciudadanos, PP e a extrema direita e fizeram-no. E a extrema direita neste país é temível. Dizem que temos de ter armas em casa, querem suspender as autonomias, dizem que isto da violência de género é uma invenção, que o holocausto nazi não existiu, têm candidatos franquistas nas usas filas e dizem que vão fechar as televisões que os incomodam. Mas isso sim, senhor Rivera, é ao PSOE a quem pôem um cordão sanitário", disse Sánchez.

Neste primeiro debate, Pablo Casado muito mais comedido do que é habitual, foi eclipsado pela agressividade de Rivera. Pedro Sánchez conseguiu escapar aos ataques da direita sem grandes sobressaltos e Pablo Iglésias fugiu às polémicas e centrou-se em apresentar o programa do Podemos.

O momento mais tenso por parte de Sánchez foi quando atacou Pablo Casado com o feminismo e a violência sexual. "O maior inimigo da igualdade entre homens e mulheres é o machismo. Diga aos seus candidatos que, quando não é sim, é não. Não é não", atirou, deixando o candidato do PP sem resposta. Sánchez referia-se às palavras de Cayetana Álvarez de Toledo, candidata do PP por Barcelona, que, num debate na semana passada, questionou a lei de consentimento sexual, proposta pelo PSOE, perguntando "se um silêncio é um não" e se "temos de dizer, sim, sim, sim até ao final".

Com mais de 40% de indecisos nas sondagens, os quatro candidatos voltam a encontrar-se esta noite para o último debate antes das eleições de domingo,

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