Quase incógnito, o antigo patrão da Nissan e Renault deixou prisão japonesa

A libertação passou praticamente despercebida já que Ghosn deixou o estabelecimento prisional usando um boné, uma máscara cirúrgica e um macacão de operário. O antigo líder da Renault e Nissan pagou oito milhões de euros pela liberdade condicional.

Carlos Ghosn há muito que tentava abandonar a cadeia de Tóquio em liberdade condicional. Mais de 24 horas depois de um tribunal lhe ter concedido uma fiança, e do ministério público ter recorrido, o milionário francês foi colocado em liberdade.

Mas a instância judicial que lhe concedeu a liberdade condicional impôs algumas condições: Ghosn não vai poder sair do Japão, teve de entregar o passaporte, vai ser sujeito a uma apertada vigilância, não pode navegar na internet nem trocar mensagens escritas pelo telemóvel.

Carlos Ghosn foi preso no dia 19 de novembro do ano passado. O homem que foi o responsável por unir a francesa Renault com a japonesa Nissan, criando o maior fabricante automóvel mundial, foi acusado ter escondido alguns dos pagamentos que lhe foram feitos pela Nissan para fugir ao fisco.

Num cenário comum no sistema judiciário do Japão, Ghosn foi "preso" mais duas vezes por novas suspeitas, uma delas por quebra de confiança agravada. Cada vez que uma acusação é feita, os promotores podem deter o suspeito por mais tempo e interrogá-lo sem que advogados estejam presentes.

O sistema de justiça japonês, alvo de duras críticas a nível internacional, é conhecido como 'sistema de reféns', porque permite que os procuradores pressionem o detido até conseguirem uma confissão.

No Japão 99,9% das pessoas acusadas de crimes são condenadas.

Carlos Ghosn garante que está inocente. Ontem divulgou um comunicado em que se reafirmou "inocente e estou totalmente comprometido em defender-me vigorosamente, e num julgamento justo para me defender destas acusações".

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