Resgate na Tailândia

"Tinha medo que a minha mãe me ralhasse por não voltar para casa"

As doze crianças e o seu treinador, salvos de uma gruta inundada na Tailândia, saíram esta quarta-feira do hospital e deram uma conferência de imprensa.

As crianças, que estiveram internadas durante mais de uma semana, saíram do hospital de Chiang Rai em miniautocarros. À sua espera, estava uma multidão de jornalistas e curiosos ansiosos por ver e ouvir os jovens.

Sorridentes, na chegada à conferência de imprensa, os rapazes (com idades entre os 11 e os 16 anos) e o treinador (de 25 anos) apareceram vestidos com as camisola da sua equipa de futebol, os Wild Boars, e jogaram à bola num campo improvisado, para mostrar que estão recuperados.

No início, foram exibidas imagens da despedida do hospital e dos abraços à equipa médica que tratou dos jovens.

O diretor do hospital informou que, desde que saíram da gruta, cada um dos rapazes já ganhou, em média, 3 quilos e que as análises realizadas ao sangue das crianças não revelaram qualquer problema.

O treinador explicou que, enquanto não foram encontrados pelos mergulhadores, sobreviveram à base da água das estalactites da gruta, uma vez que não tinham levado qualquer comida consigo.

Como foram parar à gruta?

Na conferência de imprensa desta quarta-feira, o treinador dos jovens jogadores de futebol explicou, pela primeira vez, como levou os rapazes para dentro da gruta, que, na altura, não estava inundada.

Era o aniversário de um dos rapazes, pelo que os doze jovens e o treinador foram dar um passeio e explorar o interior da gruta, antes de seguirem para a festa de aniversário. Só planeavam ficar lá cerca de uma hora, mas a gruta ficou inundada e ficaram retidos lá dentro.

O treinador conta que a maioria dos rapazes sabia nadar e que o próprio tentou mergulhar para chegar à entrada da gruta, tendo até atado uma corda à cintura para poder encontrar o caminho, mas que não conseguiu passar.

A alegria do resgate

"Eu tinha medo de não voltar para casa e que a minha mãe ralhasse comigo", admitiu o rapaz mais novo do grupo, de 11 anos.

Não é de estranhar que, assim que ouviram vozes ao fundo da gruta, antes de uma luz emergir das águas, as crianças tenham sentido uma enorme emoção.

"Senti aquele momento como um verdadeiro milagre e, por isso, agradeço aos mergulhadores que nos salvaram", declarou outro dos rapazes.

Os jovens ficaram confusos quando perceberam que os mergulhadores falavam em inglês, mas um dos rapazes sabia a língua e foi traduzindo tudo aquilo que os mergulhadores diziam.

"Ele disse 'hello' e nós dissemos 'hello' de volta", contou o rapaz, referindo que, quando lhe perguntaram quantos estavam na gruta, ele respondeu "13" e que o socorrista disse "brilhante".

O médico que assistiu as crianças elogiou o "espírito forte" demonstrado pelos rapazes durante todo o tempo que estiveram presos na gruta.

O treinador das crianças anunciou ainda que, em homenagem ao mergulhador tailandês que morreu durante as operações de resgate na gruta, os rapazes irão tornar-se monjes buditas.

E depois da gruta? Veio o futebol

Os jovens futebolistas contam que, chegados ao hospital, puderam acompanhar a final do Campeonato do Mundo de Futebol, entre a Croácia e a França - que acabaria por vencer.

As crianças garantem que fizeram tanto barulho no hospital como se estivessem a assistir ao jogo no estádio - para o qual foram convidados pela FIFA, mas onde não puderam ir.

Dos 12 rapazes, 10 estavam a torcer pela França e não têm dúvidas: o melhor jogador em campo foi o número 6 francês, Paul Pogba.

Os rapazes e o treinador devem regressar a casa ainda esta quarta-feira.

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