Uma boia de salvação chamada Corbyn? May vira-se para o líder da oposição

O objetivo de May é conseguir, em conjunto com o líder da oposição, explicar a Bruxelas que vai ser necessário um novo adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia.

Depois de ter tentado de tudo dentro do próprio partido para resolver o imbróglio do Brexit, Theresa May decidiu virar-se para o líder da oposição. A primeira-ministra britânica convidou Jeremy Corbyn para um encontro.

O objetivo de May é conseguir, em conjunto com o seu opositor, explicar a Bruxelas que vai ser necessário um novo adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia : o prazo está, por agora, marcado para dia 12 de abril.

A chefe do governo britânico pretende também chegar a um entendimento com Jeremy Corbyn sobre o modelo em que deve basear-se a futura relação com a UE. May quer manter, no entanto, o acordo jurídico que negociou com Bruxelas. Já Jeremy Corbyn quer que o Reino Unido possa negociar uma união aduaneira permanente com a União Europeia, uma ideia que, até ao momento, tem sido recusada pelo governo conservador.

Em entrevista à TSF, a professora de Ciência Política da Universidade de Leeds, Cristina Leston Bandeira explica que o segredo para o sucesso deste encontro é separar o acordo da declaração política: "se eles trabalharem com essa declaração política e encontrarem uma solução de uma união de costumes que o Partido Trabalhista sinta que pode apoiar, então poderá haver uma solução".

Cristina Leston Bandeira acredita que esta decisão de Theresa May de se aproximar da oposição "é um grande passo em frente" que "já deveria ter feito isto há muito tempo". "Tentar resolver a situação com outros partidos, de facto, parece ser a única solução disponível", defende.

A investigadora lembra que "Theresa May já tinha dito em janeiro que ia falar com personagens parlamentares", mas não tinha deixado claro, na altura, "que seria com o líder da oposição". A investigadora acredita que é possível que os dois líderes consigam entrar em acordo, mas "lembra que estamos numa situação em que dois líderes de partidos, com personalidades um pouco difíceis em termos de diálogo."

No entanto, Cristina Leston Bandeira lembra que a ideia de eleições antecipadas seria benéfica para Corbyn. Ainda assim, tendo em conta que "a situação do Brexit tem sido muito desgastante para toda a gente e, se Corbyn conseguir um acordo em que os direitos dos trabalhadores são reservados pode ser que se desenvolva em alguma coisa" em termos eleitorais.

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