Crise na Venezuela

Quem é Juan Guaidó? O jovem político que se autoproclamou Presidente da Venezuela?

É o principal rosto da oposição ao regime de Nicolas Maduro e revelou-se a maior ameaça à presidência do homem que sucedeu a Hugo Chavez. Quem é e de onde vem o líder da Assembleia Nacional venezuelana que esta quarta-feira, perante milhares de manifestantes desafiou o regime "chavista"?

Aos 35 anos tornou-se no venezuelano mais jovem a assumir a presidência da Assembleia Nacional, o único órgão oficial sob o controlo da oposição ao regime chavista. É a partir daí, do Parlamento, que Juan Guaidó quer derrubar Nicolas Maduro. Outros já tinham tentado, todos sem sucesso.

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O homem que esta quarta-feira se autoproclamou Presidente em exercício da Venezuela é militante do partido da oposição Vontade Popular. Foi um dos mais destacados ativistas juvenis e assumiu a presidência da Assembleia Nacional no início do mês, tendo subido dentro do partido após a condenação de Leopoldo Lopez e a saída do país de outros políticos opositores de peso.

Uma figura que antes era pouco conhecida dentro e fora da Venezuela, Juan Guaidó surgiu nos últimos tempos como um dos mais proeminentes líderes da oposição e do movimento nacional e internacional que procura retirar Maduro da Presidência, por considerá-lo um governante ilegítimo.

E currículo na oposição, não lhe falta. Em 2007, liderou os protestos estudantis contra o encerramento do canal Caracas Televisión - já na altura, uma voz contra o regime de Hugo Chávez - e participou ativamente na contestação à tentativa de alteração da Constituição do país - que previa, entre outras coisas, o fim do limite aos mandatos presidenciais. Este ativismo valeu-lhe a integração na chamada "Geração de 2007".
Dois anos depois já militava no Vontade Popular, considerado como um partido centro-progressista, que se autodescreve como "plural e democrático".

Em 2010, Juan Guaidó conseguiu eleger-se como deputado suplente, e em 2011 concorreu a governador da sua província natal, Vargas. A derrota não o desmotivou.

Na Assembleia Nacional foi vice-presidente da Comissão de Política Exterior e, em 2018, tornou-se líder da bancada da oposição. Em janeiro deste ano, e com base na regra de rotatividade do Parlamento venezuelano, chegou a presidente da Assembleia Nacional.

Outros tentaram. Será que Guaidó consegue?

A posse de Nicolas Maduro, para um segundo mandato, a 10 de janeiro deste ano, serviu de pontapé de saída para Guaidó. Logo a seguir, o presidente da Assembleia Nacional anunciou a intenção de assumir o cargo de Presidente da Venezuela. Pelo meio, ainda foi detido pelos serviços secretos, numa ação que Nicolas Maduro considerou ter sido unilateral, sacudindo assim qualquer responsabilidade pelo sucedido.

A oposição a Maduro - que resiste no Parlamento - decidiu não reconhecer Nicolás Maduro como Presidente legítimo da Venezuela e, a ela, juntaram-se vários outros países. Guaidó convocou o exército, o povo venezuelano e a comunidade internacional para apoiarem a Assembleia Nacional e ajudarem a retirar Maduro do poder.

Depois surgiu a afirmação que foi interpretada como se o líder do Parlamento se estivesse a declarar Presidente interino, com a Assembleia Nacional a confirmar essa intenção num primeiro comunicado, mas depois a recuar num segundo documento que não fazia menção à ocupação de funções presidenciais.

No domingo surgiu mais um episódio em torno de Juan Guaidó, com a sua breve detenção por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), com o vice-Presidente venezuelano, Jorge Rodríguez, a informar que os agentes que detiveram Guaidó haviam atuado de maneira "unilateral e arbitrária".

O presidente do parlamento venezuelano, o opositor Juan Guaidó, autoproclamou-se hoje presidente interino da Venezuela, perante uma concentração de milhares de pessoas, no leste de Caracas.

"Levantemos a mão, hoje 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação (da Presidência da República), um governo de transição e eleições livres", disse.

Juan Guaidó começou por fazer referência a vários artigos da Carta Magna venezuelana e fez os manifestantes jurarem comprometer-se em "restabelecer a Constituição da Venezuela".

"Hoje, dou um passo com vocês, entendo que estamos numa ditadura", disse vincando saber que a sua autoproclamação "terá consequências".

Por outro lado, dirigiu-se ao Presidente Nicolás Maduro, sublinhando que "aos que estão a usurpar o poder, digo, com o grito de toda a Venezuela: vamos insistir até que regresse a água e o gás, até que os nossos filhos regressem, até conseguir a liberdade".

Segundo Juan Guaidó "não se trata de fazer nada paralelo", afirmando que tem "o apoio da gente nas ruas".

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