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Está prestes a completar a bonita idade de 40 anos o postigo do Carvão, na baixa portuense. Teve outrora funções de armazenamento do carvão para consumo doméstico no bairro, e hoje encontramos ali um lugar muito especial para fazer uma refeição. Está sempre aberto e disponível e é fonte de muitas e boas delícias.
Acontece que nesta antiga carvoaria está uma mesa surpreendente à nossa espera. Senão, vejamos. Nas entradas frias, começa cedo a brincadeira. As tonalidades são bem portuguesas. O pratinho de polvo de vinagrete é perfeito, consistência e cozedura de gabarito. O cocktail de abacate com salmão fumado prepara-nos para tudo, incluindo o inesperado. A orelheira de porco sabe a sempre. Adoro as ovas cozidas, textura e consistência irrepreensíveis. E há um carpaccio de bacalhau que nos faz viajar. As entradas quentes são de perfil petisqueiro. Caso do chouriço assado, por exemplo. Ou dos camarões à chefe. Adoro o folhado de queijo de cabra, cheio de sabor e crocância a condizer. A época puxa tonalidades terra, pelo que os cogumelos salteados são mais que bem-vindos. Entre a oferta de sopas, claro que recomendo o bem português caldo verde. Ingredientes bem trabalhados, processamento de luxo e texturas na boca de incrível detalhe.
Os pratos de peixe são diversificados e todos muito atraentes. O melhor exemplo está nas sardinhas assadas com pimento. Assunto bem português e sabores bem vincados. São brilhantes os filetes de pescada com salada fria. E o bacalhau à Zé do Pipo é pleno de portugalidade. Há dois pratos de gabarito a que nos rendemos facilmente. São eles o robalo ao sal e os filetes de polvo com arroz do mesmo.
Nos pratos de carne, mantém-se a toada nacionalista. As tripas à moda do Porto são impecáveis e brilham na sua própria terra, o que nem sempre é fácil. O arroz de pato apresenta textura crocante, e pontos de cozedura individuais levados ao pináculo do sabor. Faz-se um cabrito assado no forno de crescer água na boca. Perfil clássico e confeção moderna. E são surpreendentes a posta de vitela assada à Postigo e o rancho à portuguesa, pelo quanto nos faz retroceder no tempo, mas com infinita qualidade.
Para terminar docemente a refeição, opte pelo surpreendente banoffe de banana, ou a impecável tarte de amêndoa que a cozinha prepara com requinte. A rabanada da casa é sempre apropriada e muito pedagógica. Tem tudo de que precisamos para ser felizes. Neste Postigo do Carvão, temos muito a aprender. E a provar.