nacional

2017: Saída de Passos, vitória do PS e Cristas e "hostilização" do PCP nas autárquicas

Para a história das autárquicas deste ano fica a mudança em algumas câmaras, a saída do presidente do PSD, a maior vitória do PS, a afirmação de Assunção Cristas e a hostilização que o PCP diz ter sofrido.

Nas eleições de 01 de outubro nos 308 municípios do país, o PS conquistou 161 câmaras, duas das quais em coligação, enquanto o PSD venceu em 98, em listas próprias e com outros partidos.

A CDU (coligação que junta PCP e PEV) passou a liderar em 24 municípios, o CDS-PP em seis e os grupos de cidadãos eleitores (movimentos independentes) venceram em 17 câmaras.

A completar dois anos no Governo, o PS não sentiu qualquer efeito de desgaste, conseguindo, segundo o secretário-geral socialista e primeiro-ministro, António Costa, "a maior vitória eleitoral de toda a sua história" em autárquicas, mantendo as presidências das associações nacionais de municípios e de freguesias e conquistando mais votos e câmaras do que há quatro anos (em 2013 tinha 150).

Contudo, apesar das vitórias em municípios tradicionalmente comunistas, como Almada ou Beja, não foi o PCP (que, com o BE e o PEV, suporta no parlamento o Governo) o alvo da noite eleitoral dos socialistas, mas "o grande derrotado" PSD.

Mirandela, São João da Madeira, Chaves, Ansião, Felgueiras ou Pedrógão Grande foram bastiões 'laranjas' conquistados pelos socialistas.

O PS perdeu, contudo, a maioria em Lisboa e acabou por fazer um acordo com o BE, atribuindo pelouros a Ricardo Robles.

Sem escamotear os resultados, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, assumiu a derrota, reconhecendo que o partido teve "um dos piores resultados de sempre", abaixo de 2013, quando ficou com 106 câmaras.

Passos Coelho decidiu, por isso, não se recandidatar à liderança: "Como não saio ileso deste resultado, não posso deixar de tirar dele consequências para futuro", disse.

Na contabilidade social-democrata pesaram não só os municípios perdidos para o PS -- como Ansião, Oliveira de Azeméis e Ponta do Sol, que nunca tinham saído das mãos do PSD -- mas também as derrotas outras em autarquias 'laranjas' desde 1976 como Oliveira de Frades e Ribeira Brava.

A somar a estes 'desaires', em Lisboa Teresa Leal Coelho ficou em terceiro, atrás da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, com pouco mais de 11% dos votos, o pior resultado de sempre do partido. No Porto, os sociais-democratas voltaram a ser terceiros, mas perderam mais de metade dos votos registados há quatro anos.

A contrastar com a derrota social-democrata, para o CDS-PP a noite eleitoral foi "histórica", com a líder do partido a mostrar que valeu a pena arriscar ser candidata em Lisboa. O partido passou a ser a segunda força política na capital e Assunção Cristas quase triplicou a percentagem de votos conquistada em 2001 pelo seu antecessor na presidência do CDS-PP, Paulo Portas, com 20,5%.

Nas eleições que também representaram a afirmação da sua liderança, Cristas manteve ainda a maioria nos cinco municípios onde o CDS-PP já liderava e somou a presidência da câmara de Oliveira do Bairro.

A par destas vitórias, o CDS-PP viu a candidatura do independente Rui Moreira, que apoiou, vencer na câmara do Porto.

Já para os comunistas a noite eleitoral foi 'negra', com a CDU a registar um dos piores resultados de sempre em autárquicas, perdendo dez das 34 autarquias a que presidia.

O resultado negativo foi assumido pelo secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, que o atribuiu ao "anticomunismo", à desvalorização da ação do partido no parlamento, nomeadamente por parte do Governo, e à "hostilização que acompanhou a intervenção do PCP e da CDU ao longo dos últimos meses".

Um dos mais duros golpes foi a inesperada vitória do PS em Almada, autarquia liderada pelos comunistas desde as primeiras autárquicas, de 1976. Os socialistas não conseguiram, contudo, maioria e acabaram por fazer um acordo com o PSD.

Também Castro Verde, igualmente comunista há 41 anos, passou para o PS, assim como Alandroal, Alcochete, Barreiro, Barrancos, Moura, Beja e Constância.

Em Peniche, anteriormente liderada pela CDU, o vencedor foi o independente, apoiado pelo BE, Henrique Bertino, que era há mais de uma década presidente de junta de freguesia de Peniche, eleito pela CDU.

As candidaturas independentes continuaram, aliás, a ganhar espaço, conquistando 17 câmaras, mais quatro do que em 2013, e em 13 conseguiram maioria absoluta.

Foi também com uma candidatura independente que Isaltino Morais, que cumpriu pena de prisão por fraude fiscal, regressou à câmara de Oeiras com maioria absoluta.

Para o BE, as autárquicas tiveram um sabor 'agridoce', pois apesar do aumento expressivo de votos e da recuperação de um vereador em Lisboa, falhou a reconquista de Salvaterra de Magos (perdida em 2013).