"Correspondências" de Rita Azevedo Gomes chega aos cinemas em março

Um filme português inspirado na correspondência entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena, durante o exílio do escritor, testemunho da amizade entre ambos e da situação política no país, estreia-se no dia 08 de março, nos cinemas.

"Correspondências", de Rita Azevedo Gomes, foi apresentado em vários festivais de cinema nacionais e internacionais e ganhou o Prémio Fundação Saramago e Livraria Lello para Melhor Filme Falado em Português, Galego ou Crioulo de Origem Portuguesa, Transversal às Competições, no DocLisboa 2016.

O filme, que foi selecionado para o Festival de Locarno, tem estreia marcada para o início do próximo mês no Cinema Ideal, em Lisboa, no Cinema Trindade, no Porto, e no Alma Shopping, em Coimbra, anunciou hoje a produtora, C.R.I.M..

Trata-se de um filme que se inspirou nas cartas trocadas entre dois dos maiores escritores da língua portuguesa, Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, entre 1957 e 1978, nos anos de exílio do poeta, até perto da morte do autor de "O Físico Prodigioso", em 1978.

Por razões políticas e circunstâncias da vida, Jorge de Sena viu-se forçado a partir para o exílio - inicialmente para o Brasil e, mais tarde, para os Estados Unidos, onde seguiu carreira académica -, acabando por nunca voltar para Portugal.

Esta correspondência, editada em livro em 2005 pela Guerra e Paz, é um testemunho da "forte e profunda amizade entre estes dois poetas, mas é também marcada pelo sempre presente peso da censura e da situação política em Portugal naquela época", explica a produtora.

A correspondência revela um sentimento de contínua busca pela liberdade, numa época de grande pressão, vivida sob ditadura, mas também "uma profunda afinidade entre dois seres".

"Estamos perante esse sentimento raro, a amizade, que sobrevive ao tempo e à ausência e que ambos querem levar intacta até à morte".

Para a realizadora, esta "escrita livre de intenção literária constitui uma forma de diálogo: uma conversa irregular no tempo, suspensa nas esperas do correio e nas muitas cartas perdidas, desaparecidas, censuradas pela PIDE".

Através da poesia e desta escrita epistolar, o filme constitui um diálogo extenso no tempo e no "desejo de suprir anos de distância em horas de conversa".

Simultaneamente, ficciona sobre as ligações e correntes que mantêm as pessoas juntas.

Rita Azevedo Gomes nasceu em Lisboa, em 1952, e teve um percurso variado sempre ligado às artes visuais. Durante anos envolveu-se em projetos de teatro, ópera, artes plásticas e cinema.

Em 1990, realizou o primeiro filme, "O Som da Terra a Tremer", após o qual escreveu e realizou várias curtas e longas-metragens internacionalmente reconhecidas em festivais de todo o mundo.

Atualmente está a terminar a sua longa-metragem "A Portuguesa", e trabalha na Cinemateca Portuguesa como programadora.

"Correspondências" foi selecionado para os festivais de Buenos Aires e de Edimburgo, além do festival de Locarno, entre outros. Em 2016, o filme valeu a Rita Azevedo Gomes o prémio de Melhor Realizadora, no festival Caminhos do Cinema Português.

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