ENTREVISTA:"Os conflitos pessoais estão a ter consequências desastrosas na Guiné-Bissau" - músico Remna Schwarz
O músico e compositor Remna Schwarz considera que os "desentendimentos pessoais muito fortes" estão a ter consequências desastrosas na Guiné-Bissau e acredita que os países vizinhos não têm interesse na estabilidade do país.
Nascido no Senegal, filho de mãe cabo-verdiana e do falecido músico e cantor guineense José Carlos Schwarz, Remna Schwarz lamenta que a instabilidade política esteja a impedir o país de se desenvolver, mas encontra sinais de esperança na mobilização que vê na população sempre que visita a Guiné-Bissau.
"Há muitos interesses para não haver acordo para sair daquela tormenta política. A Guiné-Bissau tem uma diversidade muito grande, muitas riquezas internas, e a partir do momento que houver estabilidade política vai ser um grande drama para os países vizinhos", defendeu.
"Há um desentendimento muito forte que não tem sentido. Os conflitos pessoais estão a ter consequências desastrosas, mesmo em termos de imagem que estamos a promover no mundo, num momento em que estamos a apostar no turismo, um setor que poderia ajudar muito a Guiné-Bissau", acrescentou.
Apesar da crise política, o músico sublinha que existe uma grande mobilização da população, mesmo do ponto de vista cultural, e destaca o papel dos artistas na estruturação de um discurso de defesa da estabilidade.
"A Guiné-Bissau é um dos países onde temos mais discursos intervenientes, mais pessoas engajadas política e socialmente. O guineense está muito focado na letra, é muito poético, gosta de imagens, falas, formas de dizer, de imaginar, falar sobre o mundo. Há muitos artistas que fazem isso muito bem, têm sempre uma mensagem de esperança, estão sempre a celebrar a vida, sempre com um posicionamento forte, críticas sociais e políticas muito fortes nas letras das músicas", disse.
O músico diz que nunca viu tanta mobilização na Guiné-Bissau como nos últimos três anos.
"Há um cansaço, uma insatisfação enorme porque as coisas não estão a funcionar. Não temos escolas e hospitais em condições. Há vontade, temos políticos com ideias fantásticas, mas temos de conseguir dar seguimento ao processo", sublinhou.
Por isso, entende, que o país vive um "momento crucial" da sua História.
"Tenho muita fé que vamos mudar a situação e vai ser já, já. Estamos num momento muito crucial da nossa História, num momento em que ou acaba tudo ou acaba tudo", concluiu.