Inquérito/CGD: Filipe Pinhal diz que BdP teve comportamento "anómalo" na 'guerra' do BCP

Lisboa, 11 jun 2019 (Lusa) - O ex-administrador do BCP Filipe Pinhal apelidou hoje de "anómalo" o comportamento do Banco de Portugal (BdP) durante a 'guerra' pelo poder no BCP, e disse que só conseguia explicar o comportamento do governador com "desorientação".

"O tratamento do Banco de Portugal ao caso BCP, não apenas no dia 20 e 21 de dezembro [de 2007], como toda a instrução, é completamente anómalo", disse aos deputados Filipe Pinhal, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Sobre o comportamento do então governador, Vítor Constâncio, Filipe Pinhal disse que o anterior líder do supervisor só poderia estar desorientado.

"Só o posso entender, numa pessoa habitualmente serena como Vítor Constâncio, com uma grande desorientação que estava justamente no dia em que ia começar o plano de ação para tomada do BCP", afirmou Filipe Pinhal.

O ex-administrador disse que foi um processo feito "às ocultas do país, do conselho superior do BCP, do conselho geral e de supervisão, do conselho de administração executivo".

Filipe Pinhal disse também que o então governador "correu" com ele por não ter concedido um crédito a José Berardo no BCP, e acusou o Banco de Portugal de ter "extravasado grosseiramente e ilicitamente as funções de supervisão".

"Vítor Constâncio virá aqui dizer que não houve implicação nenhuma, que uma coisa não tem nada a ver com outra, mas isso é a opinião de Vítor Constâncio", declarou Filipe Pinhal.

O gestor disse ainda não ter "conhecimento de que em algum país do mundo, entre os cinco bancos que dominam o mercado, fossem chamados os presidentes de dois desses bancos para decidir o futuro de um terceiro".

Anteriormente, o ex-administrador do BCP tinha descrito à deputada do CDS-PP Cecília Meireles a sucessão de acontecimentos, em que Vítor Constâncio e o seu vice-governador, Pedro Duarte Neves, pediram insistentemente informações sobre o caso das 'offshore' do BCP, que culminou com uma carta entregue por Pinhal, então presidente interino do banco, a 20 de dezembro.

Filipe Pinhal afirmou ainda que "o Banco de Portugal acompanhou a par e passo a vida do BCP, com pedidos insistentes de informação a partir de 03 de dezembro [de 2007], primeiro dia útil depois da denúncia", e "com igual atenção aquilo que em maio o Diário Económico publicava e o que o senhor Berardo dizia no jornal das 9 da SIC Notícias".

O ex-administrador do BCP disse ainda que a central de risco do Banco de Portugal teve conhecimento "caso a caso" das verbas de crédito concedido pela CGD "e a quem", e que "350 milhões de euros num dia só" [financiamento concedido à Fundação Berardo] é uma verba que "não é possível [...] que tenha passado despercebida" pelo supervisor.

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