Organista João Vaz estreia em Londres prelúdio de coral

O organista português João Vaz atua em junho em Londres, onde vai estrear, no dia 10, o prelúdio de coral "Herr Jesu Christ, wahr Mensch uns Gott", na Abadia de Westminster.

Em declarações à agência Lusa, João Vaz afirmou que "o concerto de dia 10 de junho [Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas] será inteiramente preenchido com obras de compositores portugueses", incluindo a estreia absoluta do prelúdio de coral "Herr Jesu Christ, wahr Mensch uns Gott", de sua autoria, tendo uma outra versão desta obra sido já apresentada em público pelo organista inglês William Whitehead, curador do projeto Orgelbüchlein.

O projeto Orgelbüchlein é uma iniciativa de composição em larga escala, cujo propósito é a conclusão de uma obra de Johann Sebastian Bach (1685-1750), "Orgelbüchlein", que foi concebida para conter 164 prelúdios de coral para órgão, cobrindo todo o ano litúrgico luterano. O compositor alemão destinou uma página, algumas vezes duas, a cada coral, escrevendo o respetivo título em cada uma delas.

Bach iniciou a obra em 1708, mas, das 164 peças projetadas, apenas 46 foram completadas. O objetivo do projeto é completar a ideia original de Bach, envolvendo diversos compositores na tarefa de escrever as 118 peças em falta.

As composições podem abranger variados estilos, tendo apenas que se submeter à melodia do coral correspondente, respeitando uma estrutura formal semelhante à utilizada por Bach nas suas composições.

João Vaz atua na capital britânica no âmbito do projeto Orgelbüchlein (que, segundo a página da iniciativa, se traduz para "pequeno livro de órgão", em português), tendo previsto dois recitais, no dia 10 de junho, na Abadia de Westminster, e no dia 12, na Igreja de St. Lawrence Jewry.

O programa na abadia de Westminster, além da estreia da composição do próprio organista, inclui os compositores António Carreira (1540-1597), "Fantasia a quatro em Lá-Ré", Domingos de S. José, que viveu no século XVII, "Obra de 5.º tom", de Diogo da Conceição, também do século XVII, "Meio registo de 2.º tom", e ainda de Carlos Seixas (1704-1742), Sonata para Órgão em lá menor.

Do programa do recital em Westminster consta ainda Marcos Portugal (1762-1830), a Sonata para Órgão em Ré, e Luís de Freitas Branco (1890-1955), "Choral".

No recital na igreja barroca de St. Lawrence Jewry, João Vaz volta a interpretar as peças de Domingos de S. José, Diogo da Conceição, Marcos Portugal, e de Freitas Branco, além do seu prelúdio de coral "Herr Jesu Christ, wahr Mensch und Gott".

Em St. Lawrence Jewry, no bairro londrino de Guildhall Yard, o organista português vai ainda interpretar, de Carlos Seixas, a Sonata para Órgão em dó menor, além da Sonata para Órgão em lá menor, e ainda, de Bach, os prelúdios de coral "O Mensch bewein dein'Sünde gross" e "Wer nur den lieben Gott laesst walten", e do contemporâneo Jon Lauvik, o prelúdio de coral "Ach Herr mich armnen Sünder".

João Vaz é organista titular da Igreja de S. Vicente de Fora, em Lisboa, cidade onde nasceu há 54 anos. Entre outras funções, foi consultor do processo de restauro dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

O organista foi aluno de Antoine Sibertin-Blanc, Édouard Souberbielle e Joaquim Simões da Hora, e atualmente é professor da classe de Órgão na Escola Superior de Música de Lisboa.

A sua tese de doutoramento, pela Universidade de Évora, foi sobre "A Obra para Órgão de Frei José Marques e Silva (1782-1837) e o fim da tradição organística portuguesa no Antigo Regime", tendo sido responsável pela edição moderna de partituras, entre outros compositores, de Frei Jerónimo da Madre de Deus.

A discografia de João Vaz conta 15 títulos, alguns em parceria, como o mais recente, "Responsórios de Sexta-Feira Santa, de Frei José Marques e Silva" (2015), que gravou com a capela Patriarchal, que fundou e dirige.

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