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A poucos dias do acto eleitoral, politólogos alertam para os riscos da falta de limpeza dos cadernos eleitorais. Devido aos eleitores fantasma, as eleições podem ter um falso vencedor. A TSF confrontou o director-geral da Administração Eleitoral com esta questão.
A poucos dias das eleições legislativas antecipadas há um novo alerta sobre as distorções dos cadernos eleitorais, que podem mesmo ditar um falso vencedor.
O problema dos eleitores fantasma é recorrente e apesar dos esforços da Direcção-Geral da Administração Eleitoral, haverá ainda cerca de 750 mil nomes que não deviam constar dos cadernos e que, em caso extremo podem alterar a verdade eleitoral.
O problema está na distribuição prévia dos deputados feita com base em cadernos eleitorais que têm 755 mil inscritos que mudaram de casa ou morreram.
Dois politólogos compararam os números da Direcção-Geral da Administração Eleitoral, do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do SEF, e fizeram contas: oito por cento dos eleitores estão mal inscritos.
Se o recenseamento eleitoral estive bem feito, Faro, Madeira e Viana do Castelo deviam eleger menos deputados, mandatos que deviam ser atribuídos aos distritos de Setúbal e ao Porto.
Um dos autores do estudo, Luís Humberto Teixeira, alerta que este ano o problema pode ter consequências graves.
«Como até agora muitas sondagens dão empate técnico, um deputado pode fazer toda a diferença e estes deputados que estão distribuídos previamente, em nosso entender mal, fazem com que possamos ter um vencedor errado nas eleições», referiu.
«Ou seja, um partido que por estar num círculo pode vir a ter mais mandatos do que aqueles a que teria direito acaba por prejudicar outros partidos», explicou Luís Humberto Teixeira.
Teoricamente, os partidos de direita são beneficiados por esta má distribuição.
Os politólogos responsáveis por este estudo dizem que a falha distorce a verdade eleitoral e garantem que só o Parlamento pode tomar medidas para resolver as falhas que persistem nos cadernos eleitorais.
Confrontado pela TSF com este alerta renovado sobre os eleitores fantasma, Jorge Migueis, director-geral da administração Eleitoral diz que este estudo começa por confundir duas realidades.
Ainda assim, Jorge Migueis reiterou este é um problema de difícil resolução até porque, por exemplo no caso dos imigrantes é impossível obrigá-los a anular a inscrição no recenseamento.
Mesmo admitindo a possibilidade de afectar a distribuição dos deputados, o director-geral da Administração Eleitoral desvaloriza essa questão.