
A terceira geração do CR-V está mais larga, e mais baixa. O SUV da Honda ganha no asfalto, o que perde fora de estrada.
O CR-V está mais aburguesado, e menos dado a incursões fora do asfalto, mas isso mais não é do que uma resposta da marca japonesa, aos hábitos dos clientes – a maioria destes SUV (Sport Utility Vehicle), limita o seu «mundo de aventuras» à escalada de um ou outro passeio mais alto.
No interior, e nesta versão Executive Top, o CR-V oferece ambiente luxuoso, prático, e com lista de equipamento muito completa. Os materiais estão bem montados, uma característica da Honda, mas podiam ser mais agradáveis ao toque. Há espaço de sobra em todas as direcções, e pequenos compartimentos para guardar objectos. A bagageira, com 556 litros de capacidade, chega para viagens em família.
No equipamento de série, destaque para os estofos em pele, aquecidos, e com regulação eléctrica; sistema de navegação, ar condicionado automático, sensores de estacionamento, conjunto completo de airbags, ESP (VSA na Honda), e avançadas tecnologias para maior tranquilidade ao volante: controlo de velocidade de cruzeiro adaptável (com radar), sistema de travagem atenuante de colisões (também usa o radar), e iluminação dianteira adaptável.
O cruise control «activo», é um descanso em auto-estrada. Recorrendo a um radar instalado atrás do símbolo da Honda na grelha dianteira, e através dos comandos no volante, basta escolher a distância de segurança para o carro da frente (medida em segundos até ao obstáculo, e não em metros, o que significa que o espaço livre aumenta em função da velocidade), e a velocidade de cruzeiro, que o CR-V faz o resto – mantém a velocidade escolhida, e trava quando surge outro veículo no caminho, retomando o ritmo escolhido assim que o «obstáculo» sai da frente.
O CMBS (sistema de travagem atenuante de colisões), usa as informações do radar para detectar potenciais situações de colisão, e funciona por fases. Num primeiro passo, avisa o condutor (sinal sonoro e símbolo no painel) de que está a aproximar-se de um obstáculo com velocidade excessiva; num segundo degrau mantém os avisos, trava suavemente o CR-V, e retrai de forma suave o cinto do condutor; depois, se estes avisos não resultarem, e se o radar detectar uma colisão inevitável, o sistema trava forte, acciona os pré-tensores dos cintos de segurança dianteiros, e prepara-se para o embate.
Ao volante, e em asfalto, este CR-V comporta-se quase como uma carrinha, com poucos vestígios do típico adornar de carroçaria dos 4x4 clássicos. As suspensões são firmes quanto baste para garantir essa estabilidade, mas não chegam a perturbar o conforto. Fora de estrada, e desde que não se abuse na escolha dos caminhos, o CR-V chega para uns passeios por estradões de terra. A posição de condução é óptima, elevada, e com um prático comando da caixa elevado, integrado no tablier.
O 2.2 i-CTDi de 140 cv é suave, e silencioso, mas peca pelos consumos quando tem de puxar pelos quase 1.700kg do CR-V. Com 4 pessoas a bordo, e bagageira carregada, as médias ficam bem acima dos optimistas 6,5 l/100 de consumo combinado, anunciados pela Honda. Já agora, a marca japonesa anuncia, para esta versão diesel, uma velocidade máxima de 187 km/h, e 10,3 segundos para chegar dos 0 aos 100 km/h.
Notas negativas para elevado o ruído aerodinâmico produzido pelos enormes espelhos retrovisores (em auto-estrada chegam a manchar o bom trabalho dos engenheiros da Honda, que projectaram o silencioso 2.2l diesel), e para o preço – a Honda pede 50.000€ por este CR-V 2.2 i-CTDi Executive Top. É certo que a marca japonesa oferece muito equipamento, não lhe falta nada, mas por este valor já se consegue comprar, por exemplo, uma BMW 320d Touring, ou uma Mercedes Classe C Station 220 CDI. A questão passa por decidir se a tracção integral, e a altura extra ao solo, são mesmo necessárias.