
Em 1960, antes da crise dos mísseis em Cuba, um relatório da CIA dava conta de movimentações suspeitas numa floresta da República Democrática Alemã. Moscovo estava mesmo a instalar uma base de mísseis nucleares, a primeira fora do território da União Soviética. Hoje, o que está à vista são as ruínas da cidade construída junto a esse complexo.
Que havia uma base militar em Vogelsang, na região de Brandemburgo, no leste do território alemão, não era novidade para os serviços secretos ocidentais.
As forças armadas soviéticas tinham começado a erguê-la em 1952. Albergava várias divisões militares, ao todo tinha capacidade para 15 mil soldados.
No entanto, no fim da década de 1950, o Kremlin decidiu subir a parada, instalando na base mísseis nucleares R-5 Pobeda, com um alcance de 1200 km. O arsenal teria como alvo prioritário a cidade de Londres, e outros locais do Reino Unido onde estavam instaladas bases de mísseis apontados para Leste.
Com a reunificação alemã, e a queda do Bloco de Leste e o desmoronamento da URSS, o exército russo abandonou Vogelsang em 1994.
Com o passar dos anos, a zona onde as plataformas para o lançamento de mísseis estavam instaladas acabou por ficar coberta pela vegetação. À vista continuam as ruínas da cidade, onde viviam as famílias dos soldados estacionados na base.
É com marcas desse outro lado, dessa vida vizinha de um gatilho nuclear que nunca chegou a ser premido, que se compõe esta galeria. As fotografias, que estão no site Sichtbarkeiten.de, são da autoria de Jorg Ruger.