Alerta vermelho para a humanidade. Aquecimento global é pior e mais rápido do que se temia

Um estudo aprovado por 195 países afirma que o aquecimento global está a acelerar com consequências sem precedentes.

"Um alerta vermelho para a humanidade." São palavras do secretário-geral das Nações Unidas sobre o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas(IPCC). Este estudo aprovado por 195 países afirma que o aquecimento global está a acelerar com consequências sem precedentes.

"O aquecimento global é pior e mais rápido do que se temia." Espera-se que no final da década, dez anos mais cedo do que o previsto, a temperatura média do planeta seja 1,5ºC mais elevada, com riscos de desastres "sem precedentes" para a humanidade, já afetada por ondas de calor e inundações.

Os especialistas das Nações Unidas responsabilizam o comportamento humano por estas alterações e alertam que o único caminho é reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa. Está prestes, dizem, a fechar-se a janela de oportunidade para cortar a dependência dos combustíveis fósseis e evitar catástrofes.

O impacto negativo da humanidade sobre o clima é um facto. O relatório elaborado pelo IPCC mostra que até ao ano de 2300 é esperada uma subida do nível do mar, que pode atingir os dois metros. Desde 1900 o nível do mar aumentou cerca de 20 centímetros e, na última década, este valor quase triplicou. Se as temperaturas globais aumentarem 2 graus, o nível dos oceanos aumentará cerca de meio metro ainda no século XXI. E continuará a aumentar até quase dois metros até 2300, o dobro do que o IPCC previa em 2019.

O comportamento humano é apontado como o principal responsável pelo aquecimento da terra e pela diminuição do gelo no Ártico. Os investigadores alertam para a possibilidade de em setembro o Ártico estar praticamente sem gelo, pelo menos uma vez, até 2050.

A temperatura global subirá 2,7 graus em 2100, se se mantiver o atual ritmo de emissões de gases com efeito de estufa, alerta ainda o IPCC.

No novo relatório, divulgado esta segunda-feira e que saiu com um atraso de meses devido à pandemia, são considerados cinco cenários, dependendo do nível de emissões que se alcance.

Manter a atual situação, em que a temperatura global é, em média, 1,1 graus mais alta que no período pré-industrial (1850-1900), não seria suficiente: os cientistas preveem que, dessa forma, se alcançaria um aumento de 1,5 graus em 2040, de 2 graus em 2060 e de 2,7 em 2100.

Este aumento, que acarretaria também mais acontecimentos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de calor, está longe do objetivo de reduzir para menos de 2 graus, fixado no Acordo de Paris, tratado no âmbito das Nações, que fixa a redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, impondo como limite de subida os 1,5 graus centígrados.

No cenário mais pessimista, no qual as emissões de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa duplicariam em meados do século, o aumento poderia alcançar níveis catastróficos, em torno dos 4 graus em 2100.

Cada grau de aumento faz antever cerca de 7% mais de precipitação em todo o mundo, o que pode originar um aumento de tempestades, inundações e outros desastres naturais, avisa o IPCC.

As ondas de calor extremo, que na época pré-industrial aconteciam aproximadamente uma vez por década e atualmente ocorrem 2,3 vezes, podem multiplicar-se até 9,4 vezes por década (quase uma por ano) no cenário com mais 4 graus de temperatura.

Por outro lado, na melhor hipótese considerada pelos peritos, em que se atinge a neutralidade carbónica (emissões zero) em metade do século, o aumento de temperatura seria de 1,5 graus em 2040, 1,6 graus em 2060 e baixaria para 1,4 graus no final do século.

O relatório da principal organização que estuda as alterações climáticas, elaborado por 234 autores de 66 países, foi o primeiro a ser revisto e aprovado por videoconferência.

Os peritos reconhecem que a redução de emissões não terá efeitos visíveis na temperatura global até que passem umas duas décadas, ainda que os benefícios para a contaminação atmosférica se começassem a notar em poucos anos.

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