Ameaças de Putin mostram vontade de transformar a guerra "num conflito entre a Rússia e a NATO"

No Fórum TSF desta quinta-feira, debateu-se a forma como a Europa e os EUA devem lidar com as ameaças de Putin e, de forma geral, considera-se que os aliados devem "responder unidos, com a cabeça fria e de maneira discreta para não repetir as ameaças" do presidente russo.

Esta quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou que responderá com um ataque "relâmpago" a qualquer interferência estrangeira na Ucrânia, onde começou, há dois meses, uma guerra, após uma invasão do exército russo ao território vizinho.

No Fórum TSF, Vítor Ângelo, antigo secretário-geral adjunto das Nações Unidas, diz que estas ameaças revelam que Vladimir Putin ainda tem planos em curso, como "a conquista do Donbass e do sul da Ucrânia", que "se tiverem êxito, serão apenas uma porta a uma continuação da ofensiva noutras partes" do país.

Para o ex-secretário, a ideia de conquistar Kiev "não está completamente abandonada" e "é uma questão de fases". "Nesta fase, parece-me que a ofensiva se vai concentrar no leste e no sul. Se houver sucesso nessas duas frentes, podemos esperar que a guerra depois alastre a outras partes da Ucrânia", explica.

No caso de Carlos Gaspar, o investigador do Instituto Português de Relações Internacionais acredita que as declarações de Vladimir Putin mostram a sua vontade em transformar a guerra "num conflito entre a Rússia e a NATO". Contudo, o mesmo reitera que não é sobre isso que se trata, mas sim de uma tentativa do presidente russo em "destruir a Ucrânia".

Por isso, "o que está em causa é a intervenção europeia e ocidental, para impedir Putin de destruir a Ucrânia, que é um estado independente" e os aliados da NATO, na opinião do investigador, "devem responder unidos, com a cabeça fria e de maneira discreta para não repetir as ameaças" do presidente russo.

Pelo contrário, o diretor-executivo da Amnistia Internacional, Pedro Neto, considera que as ameaças de Vladimir Putin são, sobretudo, para consumo interno e "para justificar futuras ofensivas, para mostrar força internacional e mostrar o seu poder" aos russos.

Para o diretor, a ONU tem de sublinhar as palavras de António Guterres, esta quinta-feira, durante a visita a Kiev, onde referiu que a guerra "no século XXI é um absurdo". "Aos líderes políticos que vamos ouvindo já com discursos de corrida ao armamento, essa corrida não vale a pena porque, no final de contas, servirá para nos matarmos todos uns aos outros", afirma.

Também no Fórum TSF, o embaixador Fernando D'Oliveira Neves considera as ameaças de Putin são "apenas a constatação de uma realidade" porque a Rússia tem "o maior arsenal nuclear do mundo" e pode usar "de forma tática".

"O agravamento de um conflito em que a NATO se veja envolvida pode terminar numa guerra nuclear", teme o embaixador jubilado.

"Se alguém, insisto, se estiver a preparar para interferir nos acontecimentos em marcha e criar ameaças estratégicas inadmissíveis para a Rússia, deve saber que os nossos ataques de resposta serão relâmpago, rápidos", assegurou Vladimir Putin durante uma intervenção perante o Conselho de Deputados, em São Petersburgo.

"Dispomos de todos os meios para tal", acrescentou, referindo-se ao novo míssil hipersónico, já testado, com capacidade para atingir território da Europa ocidental e dos Estados Unidos.

"E nós não nos vamos gabar. Usá-lo-emos se for necessário. E quero que todos o saibam", ameaçou, esta quarta-feira.

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