Acidente ferroviário em Espanha: Sánchez diz que Estado "fará justiça, se necessário"

Pedro Sánchez, primeiro-ministro de Espanha
Pierre-Philippe Marcou/AFP
O líder do Governo espanhol afirmou que o acidente de Adamuz, Córdova, está a ser investigado "com rigor"
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, reiterou esta quarta-feira que as causas do acidente ferroviário em que morreram 46 pessoas em 18 de janeiro serão apuradas e prometeu que o Estado vai "fazer justiça, se for necessário".
"O Estado no seu conjunto está a fazer e fará tudo" para acompanhar, apoiar e ajudar as vítimas e as famílias das vítimas e "para estabelecer as causas do acidente e, se for necessário e pertinente, fazer justiça", disse Sánchez, que falava no plenário do parlamento espanhol, em Madrid.
O líder do Governo espanhol afirmou que o acidente de Adamuz, Córdova, no sul de Espanha, está a ser investigado "com rigor" e de forma independente e garantiu que os trabalhos de renovação, manutenção e inspeção da via respeitaram todos os protocolos nacionais e europeus.
O primeiro relatório, ainda preliminar, da comissão independente que está a investigar o acidente apontou uma rutura de um carril, num ponto de soldadura feito há meses, como possível causa do acidente.
Sánchez sublinhou que a renovação integral, em 2025, da via onde ocorreu o acidente, que envolveu dois comboios de alta velocidade, foi feita por "empresas de ponta" e superou todos os testes e inspeções de controlo.
Por outro lado, e para responder a críticas e ao que disse serem mentiras das últimas semanas, revelou dados que indicam que, desde 2018, desde que está à frente do Governo socialista espanhol, aumentaram as verbas para renovação e manutenção da ferrovia, depois de anos de cortes durante executivos da direita.
Ainda assim, admitiu que as conclusões da investigação do acidente podem passar pela necessidade de mais verbas para a manutenção das infraestruturas ferroviárias e pela revisão dos "protocolos e 'standards'" de segurança e gestão.
"Assim que soubermos o que falhou exatamente tomaremos as medidas necessárias para que este tipo de tragédia não volte a acontecer", garantiu, pedindo para "a tragédia" de Adamuz não ser usada para desinformação e para "gerar medo".
O sistema ferroviário espanhol "não é perfeito", mas "é um dos melhores do mundo", como afirmam relatórios europeus, incluindo da Comissão Europeia (CE), afirmou Pedro Sánchez.
Espanha tem 15.700 quilómetros de ferrovia, a quinta rede mais extensa da Europa. Na alta velocidade, são 4.500 quilómetros, a maior rede europeia e a segunda maior do mundo, depois da China.
Em 2025, a rede ferroviária espanhola "foi a mais fiável" da União Europeia, a quinta "mais pontual" e com "preços dos mais competitivos", acrescentou Sánchez, que invocou sempre estudos e relatórios europeus.
Segundo o primeiro-ministro, 12 milhões de pessoas usaram o comboio em Espanha por semana em 2025, "em condições de segurança", "com boas frequências" e "a um preço infinitamente mais baixo do que nos países vizinhos".
O Governo espanhol vai continuar a trabalhar para "Espanha continuar a ser uma referência" na ferrovia e na mobilidade sustentável, acrescentou.
Dois dias depois do acidente de Adamuz, em que morreram 46 pessoas e mais de 120 ficaram feridas, morreu um maquinista num acidente com uma composição suburbana na Catalunha, na sequência do desabamento de um muro que caiu em cima de uma linha.
Sánchez foi hoje ao parlamento nacional dar explicações sobre estes acidentes.
