Agricultores franceses bloqueiam estradas num protesto contra abate de vacas devido a doença contagiosa

Gaizka Iroz/AFP
Na sexta-feira, veterinários abateram um rebanho de mais de 200 vacas na aldeia de Les Bordes-sur-Arize, perto da fronteira com Espanha, após descobrirem um único caso da doença da pele nodular.
Várias estradas no sudoeste de França foram bloqueadas este sábado por agricultores em protesto. Indignados, os manifestantes também incendiaram
fardos de palha e pneus, contra o abate de vacas devido a uma doença de pele.
Os agricultores franceses estão indignados com o que consideram uma resposta excessiva do Governo francês ao surto de dermatite nodular, amplamente conhecida como doença da pele nodular.
Na sexta-feira, veterinários abateram um rebanho de mais de 200 vacas na aldeia de Les Bordes-sur-Arize, perto da fronteira com Espanha, após descobrirem um único caso da doença. A polícia teve de dispersar os agricultores revoltados para escoltar uma equipa que iria realizar o abate.
Vários sindicatos consideraram essa abordagem ineficaz, apelando a "bloqueios em toda a França para pôr fim a esta loucura".
No sábado, dezenas de tratores bloquearam o trânsito, enquanto outros ficaram estacionados em frente a edifícios públicos, com os agricultores a incendiar fardos de palha e pneus.
Quase 150 quilómetros da autoestrada A64 entre Bayonne e Tarbes foram fechados ao tráfego devido aos bloqueios que começaram na sexta-feira à noite.
"É o extermínio das vacas e dos agricultores", disse Leon Thierry, do sindicato de agricultores Coordination Rurale (CR), que protestou na cidade de Briscous com mais de uma dúzia de agricultores e cerca de 40 tratores.
"É impensável que nos Pirenéus devamos abater animais que não estão doentes, que são saudáveis, porque pertencem a um rebanho do qual, supostamente, surgiu um animal doente", acrescentou.
Cerca de 70 agricultores tocaram buzinas e acenderam fogos de artifício e bombas de fumo em frente ao antigo gabinete parlamentar da ministra francesa da Agricultura, na cidade oriental de Pontarlier, pendurando um bezerro morto numa árvore com uma placa em que se lê "Os nossos animais, a nossa vida".
A doença da pele nodular, que não pode ser transmitida aos seres humanos, mas pode ser fatal para o gado, surgiu pela primeira vez em França em junho.
A estratégia oficial para erradicar o que as autoridades descrevem como uma doença muito contagiosa tem sido, desde então, o abate de todos os animais dos rebanhos afetados, bem como a "vacinação de emergência" de todo o gado num raio de 50 quilómetros.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou este sábado que o Governo planeava vacinar um milhão de cabeças de gado nas regiões de Nouvelle-Aquitaine e Occitanie.
"Nas próximas semanas, vacinaremos quase um milhão de animais, protegendo assim os agricultores", adiantou à rádio Ici Occitanie.
Essas vacinações serão adicionais ao milhão de cabeças de gado que já receberam a vacina desde julho, informou o Ministério da Agricultura à AFP.
Os abates dividiram os sindicatos agrícolas: a Coordination Rurale e a Confédération Paysanne estão unidas contra os abates generalizados e pediram uma campanha de vacinação em grande escala. Enquanto que o principal sindicato agrícola FNSEA apoia o abate total dos rebanhos afetados.
