Casal de portugueses apanhado pela agitação militar na Guiné-Bissau teme a revolta do povo
Autora: Rita Costa
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Filipa e Diogo Frias saíram há três meses de Leça da Palmeira com destino à Cidade do Cabo (África do Sul) com a missão de ajudar animais e acabaram no centro da turbulência militar na Guiné-Bissau. À TSF contam que, pelo que se ouve na rua, está a ganhar terreno a tese de que o que aconteceu foi um falso golpe de Estado.
O casal de portugueses chegou à Guiné-Bissau no dia 20 de novembro, três dias antes das eleições, e ainda na fronteira foi aconselhado a evitar a capital guineense durante o período eleitoral. No dia seguinte, como tudo estava calmo e a contagem dos votos ainda ia demorar, Filipa e Diogo decidiram aventurar-se.
"No primeiro dia, tudo bem, mas no segundo dia, já começamos a sentir o ambiente muito mais tenso, já vimos muitos militares pelas ruas, veículos blindados com grandes metralhadoras a circular constantemente pelas ruas", conta Diogo Frias.
Depois de falar com outros portugueses que trabalham em Bissau, o casal acabou por ser aconselhado a viajar para Bolama, antiga capital colonial. Disseram-lhes que "é costume haver tiros nas ruas durante as eleições e alertaram para a possibilidade de haver confrontos" e, por isso, a decisão foi fácil.
Em Bolama, Filipa e Diogo Frias encontraram tranquilidade, mas o que se ouve nas ruas não faz antever dias tranquilos em Bissau. Diogo conta que "o que se diz nas ruas é que é um falso golpe de Estado, que Horta Inta-A foi nomeado pelo próprio Sissoco Embaló e que a ideia é evitar que sejam divulgados os resultados eleitorais".
Filipa acrescenta que "as pessoas estão calmas", mas sente que há alguma revolta interior. "Até comentam connosco que não vão aceitar isto de ânimo leve e que não pode ser, que o povo votou e votou no Fernando Dias", revela.
Perante este sentimento, conclui Diogo, "o povo pode revoltar-se e aí a situação pode agravar-se".
Nos últimos dias o acesso à internet esteve com limitações, mas o casal tem ligação à rede global via satélite e manteve-se sempre informado. Além disso, em Bolama, as pessoas "estão sempre de rádio na mão, sempre a tentar perceber o que é que se passa na capital" e vão contando.
Filipa e Diogo Frias asseguram que estão serenos, aguardam uma oportunidade para irem à capital guineense buscar a ambulância militar que transformaram para ajudar animais em África e à qual chamaram Adamastor.
"Durante a nossa viagem, também decidimos ajudar de forma gratuita animais e as comunidades com animais com quem nos vamos cruzando, porque eu sou veterinário", explica Diogo.
Na esperança de não enfrentar tormentas, o casal de Leça da Palmeira espera, nos próximos dias, voltar ao volante do Adamastor para seguir viagem.
