
Bloco de Esquerda
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O BE considera que o chumbo do Tratado de Lisboa põe em causa o primeiro-ministro. Já o PCP afirma que o documento é uma «fraude política»», enquanto o CDS-PP prefere destacar que a UE pode continuar a viver com as regras actuais. Por seu lado, o PS não entende a posição dos irlandeses.
O eurodeputado Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, considerou, esta sexta-feira, que a vitória do “não” no referendo irlandês ao Tratado de Lisboa mostra que o documento está morto e põe em causa o primeiro-ministro, José Sócrates.
«É óbvio que o Tratado de Lisboa morreu à luz dos tratados em vigor. O que é espantoso é termos um presidente da Comissão Europeia», o português José Manuel Durão Barroso, «que acha que não, quando a sua função é ser o guardião dos tratados», acrescentou.
Miguel Portas lembrou ainda que durante meses o presidente do executivo comunitário e os primeiros-ministros dos 27 Estados-membros alertaram que «não havia um plano B» para o Tratado.
Pelo PCP, Ilda Figueiredo considerou que o facto de o Tratado de Lisboa ir para o «caixote do lixo da história» significa o fim de uma «burla política», já que o documento visava «ressuscitar a Constituição Europeia que os povos da França e da Holanda já tinham rejeitado».
A vitória do "não" põe em evidência as «razões do receio que levaram os principais responsáveis pela elaboração do Tratado a impedir na generalidade dos países a realização de referendos sob o projecto do novo Tratado», adiantou.
Para o eurodeputado Luís Queiró, do CDS-PP, agora é necessário resolver o problema levantado por a rejeição, «até porque não estamos perante uma catástrofe para a União Europeia», que continua a viver com as regras anteriores.
Já o porta-voz do PS, partido no Governo, disse que o resultado não foi «inesperado, mas não deixa de ser difícil de entender, porque a Irlanda é um dos países que recebeu mais benefícios da sua integração europeia».
«Sendo esta uma má notícia para a Europa, não é seguramente uma notícia definitiva», afirmou Vitalino Canas, acrescentando que os 27 «devem agora procurar definir uma forma de ultrapassar esta situação».