Defesa alega "risco de agravamento" da saúde e pede prisão domiciliária para Bolsonaro

Créditos: Sergio Lima/AFP
Os médicos prevêem dar alta hospitalar a Jair Bolsonaro já na quinta-feira
A defesa de Jair Bolsonaro pediu esta quarta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-Presidente possa cumprir a pena de prisão em regime domiciliar por "risco de agravamento" do seu estado de saúde.
O último boletim médico indicou que o capitão reformado do Exército faria esta quarta-feira uma endoscopia para avaliar o "refluxo gastroesofágico", enquanto continua com "fisioterapia respiratória", tratamento noturno para a apneia do sono e "medidas preventivas contra a trombose".
"Manter este paciente em num estabelecimento prisonal, assim que tenha alta hospitalar, o expo-lo-ia ao risco real de piorar de forma repentina o seu estado de saúde", lê-se num documento apresentado ao tribunal, ao qual a AFP teve acesso.
Os médicos prevêem dar alta hospitalar a Jair Bolsonaro já na quinta-feira.
O antigo chefe de Estado do Brasil, de 70 anos, cumpre atualmente uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Na terça-feira, Bolsonaro por um novo procedimento cirúrgico para reforçar o bloqueio de um nervo do diafragma, com o objetivo de controlar as suas recorrentes crises de soluços.
Esta foi a terceira intervenção a que o ex-chefe de Estado brasileiro foi submetido nos últimos quatro dias, todas visando conter as crises de soluços de que sofre há meses.
O líder da extrema-direita, que cumpre uma pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, entrou nesta clínica privada, com autorização judicial prévia, dada no passado dia 24 para corrigir apenas uma hérnia inguinal bilateral.
A operação à hérnia foi efetuada no dia de Natal, e desta Bolsonaro evolui bem.
Por isso, a partir desse momento, os médicos concentraram-se em tratar as crises de soluços, aparentemente consequência da dezena de cirurgias por que passou desde que levou uma facada no abdómen durante a campanha eleitoral de 2018.
Assim, no sábado passado, bloqueou-se parcialmente o nervo frénico direito; e na segunda-feira, o esquerdo. No entanto, na manhã de terça-feira, o chefe de Presidente do Brasil teve novos episódios de contrações involuntárias do diafragma, segundo relatou o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, um dos filhos do ex-chefe de Estado (2019-2022).
A 11 de setembro passado, o ex-Presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal do Brasil por "liderar" uma conspiração para tentar "perpetuar-se no poder" após perder as eleições presidenciais de 2022 para o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde finais de novembro Bolsonaro cumpre a pena de prisão na sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Os seus advogados solicitaram diversas vezes que lhe fosse concedida prisão domiciliária com caráter "humanitário" devido ao seu delicado estado de saúde, mas, até ao momento, o Supremo negou todos os recursos.
